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Ceará perde 42% de toda a água distribuída, aponta estudo

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Índices de perdas de água no Nordeste — Foto: Instituto Trata Brasil/ Divulgação

 

O Ceará perdeu 42,97% de toda água que é produzida, ou seja, a cada 100 litros produzidos, 42 não chega de forma oficial aos habitantes. O Estado tem a terceira menor perda de água do Nordeste, ficando atrás apenas da Paraíba (38,78%) e Alagoas (29,81%), conforme dados do estudo “Perdas de Água Potável (2021, ano base 2019): Desafios Para a Disponibilidade Hídrica e ao Avanço da Eficiência do Saneamento Básico”, divulgado nesta segunda-feira (21).

O material, produzido pelo Instituto Trata Brasil, em parceria institucional da Associação Brasileira dos Fabricantes de Materiais para Saneamento (Asfamas) e com elaboração da consultoria GO Associados, foi feito a partir de dados públicos do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS, ano base 2019) e contempla uma análise do Brasil, das 27 Unidades da Federação e as cinco regiões, bem como as 100 maiores cidades – os mesmos municípios do Ranking do Saneamento Básico.

Em Fortaleza, 47,35% de toda água produzida é desperdiçada. Já em Caucaia, na Região Metropolitana, esse número é de 46,8%.

O Índice de Perdas na Distribuição do Ceará é maior que a média nacional de 39,2%. Outros seis estados da região Nordeste estão na mesma situação, são eles: Bahia (40,23%), Maranhão (59,47%), Pernambuco (50,12%), Piauí (48,41%), Rio Grande do Norte (51,22%) e Sergipe (43,59%).

Em referência ao Índice de Perdas no Faturamento Total (IPFT), indicador que buscar avaliar, em termos percentuais, o nível da água não faturada do sistema de abastecimento, o Ceará apresentou 28,82%. Ficando a frente apenas da Paraíba (29,4%), que apresentou a menor perda.

O Índice de Perdas por Ligação (litros/dia), indicador que avalia o nível de perdas da água efetivamente consumida em termos unitários, mostra que o Ceará teve a terceira menor perda no Nordeste, com 274,64 litros perdidos por dia. Bahia (262,50 l/dia) e Paraíba (255,27 l/dia) tiveram as menores perdas da região.

Perda de água nos Estados
No Brasil, quase 40% (39,2%) de toda água potável captada não chega de forma oficial as residências do país. Segundo o estudo, isso demonstra a grande ineficiência na distribuição de água pelas regiões. Todo esse volume perdido, equivale a 7,5 mil piscinas olímpicas de água tratada desperdiçada diariamente ou sete vezes o volume do Sistema Cantareira – maior conjunto de reservatórios para abastecimento do Estado de São Paulo.

O Ceará perde o equivalente a 146 piscinas olímpicas diárias de água potável, sendo o quinto com menor desperdício entre os estados do Nordeste.

O maior desperdício entre os estados da região ocorre na Bahia, que perde o equivalente a 407 piscinas olímpicas diárias de água potável – o cálculo, nesse caso, é feito em cima do Índice de Perda de Faturamento.

Logo após, vem o Maranhão, que perde 349 piscinas olímpicas. O menor desperdício é da Paraíba, que perde diariamente 68 piscinas olímpicas.

Cenário da região Nordeste
A situação de perdas no Brasil apresenta grande disparidade quando se comparam as diversas regiões. A região Nordeste possui o segundo pior Índice de Perdas de Água na Distribuição do país, com 45,7% de toda água que é produzida, ou seja, a cada 100 litros produzidos, 45 não chega de forma oficial aos habitantes da região.

O Nordeste fica atrás apenas da região Norte, que apresentou 55,2% de desperdício na distribuição de água. Já a região Centro-Oeste teve a menor perda de água na distribuição, com 34,4%. O Sul e o Sudeste, apresentaram, respectivamente, 37,5% e 36,1% no Índice de Perdas de Água na Distribuição.

O Nordeste também apresentou piora no Índice de Perdas no Faturamento Total (IPFT), entre 2015 e 2019.

Em relação ao Índice de Perdas por Ligação (litros/dia), o Nordeste do país registra perda de 346,39 L/ligação/dia, isto é, fora do padrão de excelência de 216 L/ligação/dia, apontado no estudo.

O estudo ressalta que esse indicador não é necessariamente comparável entre regiões, uma vez que ele tende a aumentar quanto maior for o volume de água produzido ou quão maior for a taxa de ocupação das residências (número de habitantes por ligação).

O estudo conclui que os estados e municípios da região Nordeste devem enfrentar grandes desafios para reduzirem os índices de perdas, justamente por significa perda de recurso hídrico potável para consumo direto da sociedade. A região enfrentou a pior seca da história entre 2012 até o final de 2018, que resultou em várias cidades sem acesso à água regularmente.

O Nordeste do país ainda apresenta indicadores negativos de saneamento básico, como por exemplo, mais de 14 milhões de habitantes que vivem na região não possuem acesso à água potável, bem como quase 40 milhões habitam em residências sem sistemas de esgotamento sanitário.

Além disso, somente 33% dos esgotos são tratados a região, o que demonstra uma preocupação maior com os recursos hídricos que estão sendo agredidos com lançamento de esgoto sem tratamento diariamente nos nove estados.

Com informações do G1

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