Os altos cachês pagos por prefeituras a artistas em festas públicas estão mais uma vez no centro de uma polêmica. Essa semana a cantora de forró, Taty Girl, disse em suas redes sociais que sua banda não fechou novos contratos com prefeituras porque as gestões ainda não pagaram show realizados em eventos anteriores, como Carnaval e São João.
“Tem muitas prefeituras que estão lançando sua grade junina e tem muita gente perguntando: ‘Cadê Taty? Cadê Camarote?’ Não tem porque não pagaram!”. A Camarote que a cantora se refere é a empresa Camarote Shows, de propriedade do cantor Wesley Safadão e que gerencia além da própria Taty Girl, nomes como Calcinha Preta, Seu Desejo, Rey Vaqueiro, Eric Land, Natanzinho Lima e Walkyria Santos.
A cantora disse no vídeo que há casos de prefeituras que estão com débitos de shows feitos ainda no ano passado.
Mas a cobrança feita por Taty Girl pode ser apenas a ponta do iceberg de um problema sinalizado lá atrás. No início do ano o alto valor cobrado por bandas e artistas para se apresentarem em festas municipais, provocou forte reação entre prefeitos. Na avaliação deles, os cachês cobrados estavam acima da realidade e o aumento dos valores foi consideravo abusivo pela Associação dos Prefeitos do Ceará (Aprece).
A própria Taty Girl foi a cantora com um dos shows mais caros comercializados durante o Carnaval. Só ela, que fez cerca de 10 apresentaçõs no carnaval, teria arrecadado R$ 3,5 milhões. O próprio Weslwy Safadão, dono da empresa, cobrou R$ 1 milhão por show.
O cenário do entretenimento mudou drasticamente. Grandes festas deixaram de ser realizadas por empresários e, na maioria dos casos, os eventos com os artistas passaram a acontecer somente graças às prefeituras em datas comemorativas.
Mas esse cenário onde prefeituras é que bancam a diversão do povo parece ter ficado insustentável e agora, prefeitos que reconheceram a alta no valor dos cachês, estão vivendo justamente o cenário que previam: a dificuldade de ter o dinheiro para pagar.
