Região Central: Uma série de fatores teriam contribuído para a decisão do fechamento da unidade em Banabuiú da empresa Libra Ligas do Brasil. Entre eles, readequações ambientais que poderiam custar cerca de R$ 30 milhões, além do baixo valor comercial dos produtos fabricados no conário internacional.
Os detalhes foram apurados pelo Revista Central com fontes sob condição de anonimato. O RC procurou o jurídico da empresa nesta sexta-feira (24), mas até a publicação deste texto a Libra não havia se pronunciado oficialmente. Quando isso ocorrer, o texto será atualizado.
A empresa se instalou em Banabuiú e especializou-se na fabricação de ferro silício e inoculantes. Como os produtos são tipificados como um comoditie os valores de mercado no cenário internacional caíram muito. Comodities são produtos produzidos em larga escala e com padronização internacional. Elas deve ter a mesma qualidade independente do fabricante, e seu preço não é fixado pelo produtor, mas pelo mercado mundial.
Os custos com a logística comercial ficaram maiores. De acordo com fontes ouvidas pelo RC, valores do diesel e falta de incentivos por parte do governo impactaram nos custos. Em paralelo, a queda do dólar no mercado internacional desvalorizou ainda mais os produtos produzidos pela empresa. O impacto do dólar se dá porque a Libra, embora instalada numa pequena cidade como Banabuiú, pratica importação, ou seja, seu maior volume de vendas é para outros países.
Um outro detalhe apurado pelo RC que pode ter impactado no fechamento da empresa foram os custos envolvidos na implantação de estratégias ecológicas. Os custos estavam na casa dos R$ 30 milhões, entre elas a adequação do forno da empresa responsável pela emissão de fumaça, alvo de uma série de denúncias à Superintendência do Meio Ambiente (Semace) nos últimos anos. Apenas um projeto de despoeiramento de carvão, feito por uma empresa gaúcha, teria custado cerca de R$ 750 mil, conforme disseram fontes.
Vendendo um produto sem tanto valor como antes, e com custos dea produção, logística, importação e frete tão altos, ficou impossível fechar o caixa. Os cerca de 170 funcionários foram comunicados da decisão em uma reunião na tarde de quinta-feira (23). O sindicato da categoria deve se reunir com os trabalhadores até o final do mês.
O RC buscou mais detalhes sobre as etapas de fechamento da empresa, se a medida vai se repetir em outras unidades e o que vai acontecer com o parque fabril, mas os questionamentos não foram respondidos.
