O aumento recente do preço do petróleo no mercado internacional não justifica, de forma imediata, a elevação do valor da gasolina nos postos brasileiros. A avaliação é baseada no funcionamento da política de preços da Petrobras e no próprio sistema de abastecimento do país, que impede que oscilações externas sejam repassadas automaticamente ao consumidor.
O cenário atual envolve tensões no Oriente Médio. O Irã, país da região que concentra algumas das maiores reservas de petróleo do mundo, restringiu a venda do produto para outros países como forma de retaliação em meio ao conflito com os Estados Unidos.
A redução da oferta no mercado internacional provocou reação nos preços. Antes da escalada do conflito, o barril do petróleo iraniano era comercializado por cerca de US$ 70, enquanto agora já se aproxima de US$ 120.
Essa valorização ocorre porque a escassez de um produto tende a elevar seu preço, fenômeno conhecido na economia como inflação de oferta.
No entanto, essa variação não chega automaticamente ao Brasil. A Petrobras mantém reservas estratégicas e, desde 2023, deixou de utilizar a política de paridade de importação (PPI), mecanismo que vinculava diretamente os preços internos às oscilações do mercado internacional.
Na prática, isso significa que o aumento do petróleo negociado em outros países não precisa ser repassado imediatamente ao consumidor brasileiro. Mesmo assim, economistas apontam que parte do mercado reage antecipando possíveis reajustes. Esse comportamento é chamado de especulação, quando comerciantes elevam preços prevendo aumento futuro de custos.
O Código de Defesa do Consumidor considera abusiva a elevação de preços sem justificativa real de custos. Por esse motivo, o Programa Estadual de Proteção e Defesa do Consumidor (Decon) tem intensificado fiscalizações em postos de combustível em diversas cidades do Ceará nos últimos dias.
Situações semelhantes já foram registradas no Sertão Central. Em Quixadá, por exemplo, o portal Revista Central relatou casos em que postos elevaram o preço da gasolina no mesmo dia em que houve anúncio de reajuste de impostos relacionados ao petróleo. Na ocasião, o aumento afetaria apenas futuras compras de combustível pelos postos, já que o estoque adquirido anteriormente havia sido comprado com preços anteriores.
