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Morre, aos 101 anos, Sr. Joaquim Barbosa, um dos poucos sobreviventes aos Campos de Concentração da Seca no Ceará

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Joaquim Barbosa teve um AVC no domingo de carnaval e morreu nesta terça (1°) (Foto: Secult CE)

Região Central: Foi sepultado na manhã desta quarta-feira de cinzas (2), um dos sobreviventes aos históricos Campos de Concentração do Patu, em Senador Pompeu. Joaquim Barbosa tinha 101 anos e faleceu na manhã desta terça-feira (1°).

O enterro aconteceu em um cemitério que fica no quilômetro 020, no município de Senador Pompeu onde ele residia. A celebração fúnebre reuniu uma pequena quantidade de pessoas, sendo a grande maioria familiares.

Joaquim Barbosa nasceu no dia 20 de outubro de 1920. Naquele tempo o Ceará passava por um dos períodos mais severos de seca, e ainda amargava as consequências da famosa estiagem do ano de 1915, que mais tarde foi retratada pela escritora Rachel de Queiroz no seu clássico O Quinze.

Aos 12 anos ele e sua família foram levados para o Campo de Concentração do Patu, um dos mais famosos locais onde se abrigava flagelados e retirantes que vinham de São Paulo e tomavam as ruas a buscando comida, como consequência da seca.

Boa parte do que se sabe sobre a história dos campos de concentração, foi descoberto e registrado por pesquisadores, historiadores e documentaristas graças ao depoimento de seu Joaquim, um dos poucos sobreviventes daquele período.

Erguidos no Ceará em dois momentos distintos, em 1915 e 1932, os campos de concentração eram espaços de aprisionamento espalhados estrategicamente em rotas de migração no estado para evitar que os chamados “flagelados da seca” chegassem a Fortaleza, em busca de auxílio.

A história dos campos de concentração no Ceará origina-se em processos vividos na seca de 1877, quando um ciclo intenso de estiagem motivou grandes deslocamentos de retirantes do interior do estado para Fortaleza. Em 1915, temendo que a situação de 1877 se repetisse, o governado da época, coronel Benjamin Liberato Barroso, criou o primeiro campo de concentração do Ceará, em Fortaleza, no chamado Alagadiço, atualmente Bairro de São Gerardo.

De acordo com o jornal O Povo, Joaquim sofreu um acidente vascular cerebral (AVC) no domingo de carnaval (27). Ele chegou a ser socorrido para o Hospital Regional do Sertão Central (HRSC) em Quixeramobim, mas não resistiu e morreu na terça.

Nas redes sociais a Secretaria de Cultura do se solidarizou com familiares e amigos da vítima. O Revista Central não encontrou nenhuma homenagem ou menção de pesar pela morte de seu Joaquim nas páginas da Prefeitura de Senador Pompeu e também no perfil do prefeito do município, Maurício Pinheiro.

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