Coluna Amadeu Filho: “Menina”, a gatinha que conquistou o bairro Baviera e todo o Quixadá

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gata_meninaAQuando penso nesta gatinha que voltou à vida, fico a pensar em quantas “meninas” estão por aí, abandonadas, ao frio, ao relento, sem alimento, doentes e sendo mortas.

Todos os dias, uma linda gatinha, logo nos primeiros dias da manhã, miava, parecia sorrir, pedindo o café da manhã, alimento para ela e os gatinhos que estavam na sua barriga. De casa em casa, se tornou a queridinha do Baviera, bairro de Quixadá.

Aqueles que se dirigiam para o trabalho e crianças até a escola davam aquele “alô” para aquela criaturinha, nossa irmã de criação. Também com os que não moravam ali, a gatinha era só carinho e até brincava, dando atenção especial às crianças. Faltava só um nome para ela.

Larisse, uma moradora do bairro passou a chamá-la de “Menina”. Como os gatos e cachorros são anjos que Deus nos envia para amenizar nossas dores, “Menina” era requisitada para ir ao colo de pessoas em cadeiras de rodas, crianças com alguma deficiência. A doce gatinha só não conhecia a maldade humana.

gata_meninaNuma madrugada, indo de encontro a um grupo de pessoas, com certeza, querendo brincar, foi recebida com pedradas, parecia que estava sendo executada. Que mal a “Menina” teria feito a eles para ser vítima de tanta maldade? Para eles, a gatinha não significava nada, mas para Deus, um ser precioso e para as famílias do Baviera, um amiguinho muito próximo.

Foi aí que entrou em ação o casal Suely e Chico Javali, que juntamente com os filhos Wesley, Franciely e Isabelly, mobilizou todo o bairro e até utilizando as redes sociais, iniciou uma campanha para salvar a vida de “Menina”. Ao se deparar com aquele ser inocente, todo ferido, morrendo, entraram em grande pranto. Suely tentava amenizar seu sofrimento, mas percebeu que, ao tocar em sua barriga, a dor era muito grande. Foi aí que o casal Edgar e Lucimar se aproximou e foi logo falando que Cristo ama os desprotegidos, os inocentes e sugeriram levá-la ao veterinário.

Sem nenhum dinheiro, naquele momento, levaram ao veterinário que logo falou da necessidade de uma operação urgente, mas que sairia caro. O casal deu início a uma grande campanha no próprio bairro e as pessoas responderam positivamente. As filhas de Suely e Chico, fizeram promoções na Escola com o objetivo de arrecadar alguma ajuda. A “Revista Central” (veja a matéria aqui) também participou da campanha e moradores de outras localidades.

Foram muitos dias de internação e “Menina” voltou, agora ficando na residência de Suely. Recebeu muito carinho de vizinhos, amigos e até presentes lhe foram enviados. Numa tarde de domingo, uma senhora em uma cadeira de rodas, acompanhada pelos filhos, veio visitar menina e falou que, todos os dias, aquela gatinha ficava um bom pedaço no seu colo. “Menina” voltou a ser a alegria do Baviera.

Quando penso nesta gatinha que voltou à vida, fico a pensar em quantas “meninas” estão por aí, abandonadas, ao frio, ao relento, sem alimento, doentes e sendo mortas, de forma brutal, por quem deveria protegê-las. Mas há esperanças! Ainda podemos sonhar com um mundo melhor. Ao defender a causa animal, o jovem casal Suely e Chico Javali  nos enche de bondade, de compaixão, que imaginamos não possuir. Mas, dentro de nós existe um cantinho de amor, pois somos filhos de um Pai amoroso que sempre  estar a nos mostrar ser os animais, nossos irmãos de criação.

Dentre todas as ajudas que chegaram para salvar a gatinha, uma chamou a atenção de todos: Alguém passou, rapidamente, na casa e jogou um envelope com algum dinheiro, acompanhado de um bilhete, onde pôde-se ler: “A situação de “Menina” me tocou o coração, mas não posso dizer meu nome pois já cheguei a envenenar esses bichinhos. Depois de Menina, irei dedicar parte da minha vida a cuidar desses anjos”.

Sempre que estou a caminhar pelo bairro em que nasci, vejo Suely cuidando de animais doentes e, quando pode, os acolhe e faz campanhas para doações. Vejo tudo aquilo e corro para casa, confesso: choro com raiva de mim mesmo, pois poderia também fazer muito mais.

Ajudei a “Menina” com tão pouco dinheiro!  Poderia ter ajudado mais, vendendo um computador, um som! Por que não fiz isso, meu Deus? Aliás, nós todos poderíamos fazer muito mais.

Obrigado Suely e Chico Javali pelo belo exemplo de amor! Vocês nos mostram, todos os dias, que este mundo não é só nosso, mas também dos gatos, cachorros e de todos os animais. E diga a “Menina” que eu também a amo apesar de minhas limitações. Que Deus proteja “Menina” e todos os animais!

Acesse também o blog Amadeu Filho

Acessando o blog Amadeu Filho você terá a oportunidade de conhecer mais sobre a história de Quixadá.

Amadeu Filho
Colunista da RC
Radialista Profissional

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