Coluna Amadeu Filho: Professor Hill- a simplicidade em primeiro lugar

Ele tinha tudo para demonstrar ostentação! Num mundo em que a maioria das pessoas quer ser ricas, famosas e até bonitas, ele fez opção pela simplicidade, pelo convívio com as pessoas mais humildes. De família tradicional, de intelectuais, artistas, jornalistas, escritores, Hill foi buscar na gente do povo, a sua razão maior de viver.

Figura popular e estimada na terra dos monólitos, pois exercera diversas atividades como professor de Educação Física e História, diretor do Colégio Estadual. Também pertenceu aos quadros do Balneário Cedro Clube e durante algum tempo, dirigiu o time profissional do Quixadá Futebol Clube, quando este então realizou uma de suas melhores campanhas no campeonato Cearense.

Poucos quixadaenses sabem, que nos meados dos anos 50, Hill foi apresentador de programas na “Tv Tupy“. Foi nesta emissora de televisão que aconteceu um fato que mostrou o jeito Hill de ser: o famoso astro Grande Otelo adentrou os “stúdios” e pediu uma informação ao nosso conterrâneo que respondeu na hora: “Tá me achando com cara de porteiro?” Daí em diante, nasceu uma grande amizade entre eles. Fez parte de consagradas equipes do rádio, como por exemplo, a Ceará Rádio Clube. Foi o responsável direto pelo lançamento no rádio esportivo daquele que viria a ser o maior comentarista que o Ceará já conheceu, Paulino Rocha. Também foi compositor de muitos talentos, poeta e chegou a gravar até alguns discos. Não fora seu incontrolável amor por Quixadá, teria se consagrado no mundo das artes.

Francisco Maurício de Góes Holanda, nasceu no dia 22 de março de 1935, filho do querido casal Senhor Maurício Holanda e Irmã Heloísa, foi casado com Olga Ribeiro, com quem teve cinco filhos: Rose Eloise, Rose Anne, Rose Lídice, Marcos Maurício e Március. Sempre foi dedicado a família, e todo dia, num jeep (que era a sua cara), vinha deixar e pegar os meninos na escola. Até a hora de voltar para casa, se dedicava ao trabalho no Colégio Estadual e nos momentos de folga, se davam os eternos e folclóricos encontros com os amigos, dentre eles, Everton Lopes, Zé Bandeira, Amadeu do  Mercado Velho, Besouro, João Paraibano, Bandeirinha, Eugênio Oliveira e muitos outros. As prosas que aconteciam no comércio do Senhor Nilo Lopes alegrou, a partir de 1970, muitos quixadaenses. Alguns se dirigiam aquele comércio para ouvir as intervenções sempre inteligentes do professor que dominava os mais diversos assuntos. Uma de suas marcas era ter sempre pronta uma reposta para aqueles que queriam incomodar. Tal franqueza podia parecer ser o Hill uma pessoa grosseira. Ao ter um contato mais íntimo com nosso amigo, logo se percebia ser um homem de um coração enorme. Jamais deixou de socorrer aqueles que o procuravam para pedir algum favor.

Completamente apaixonado pela terra dos monólitos, publicou no começo dos anos 80 um trabalho intitulado: “Resumo Histórico e Geográfico de Quixadá” que, ainda nos dias de hoje, é utilizado para pesquisas. Também participava da vida política, sempre discutindo os grandes problemas que afligiam a linda cidade. Mas o que marcou de forma irreversível o nome do Hill na lembrança dos quixadaenses foi, além de sua conhecida inteligência, o seu apego a uma vida simples, o convívio diário com as pessoas, sem discriminação. Pode-se dizer com muita tranquilidade que ele viveu num mundo material, mas sem ser afetado por ele. Por isso, jamais será esquecido!

_____autor

Amadeu Filho
Colaborador da RC
Colunista
Radialista Profissional