Sertão Central está prestes a completar dois anos sem nenhum ataque contra agência bancária

Agência do Banco do Brasil em Farias Brito destruída durante um ataque de criminosos — Foto: Isaac Macêdo

Região Central: A região do Sertão Central está prestes a completar dois anos sem ter nenhuma agência bancária de suas 18 cidades, atacadas em ações criminosas de roubo. A última ação foi registrada no dia 7 de dezembro de 2018, e desde então, nenhum explosão de agência ou mesmo tentativa de roubo foi contabilizada. Se esse cenário se manter até a próxima segunda-feira (7), a região vai completar dois anos sem nenhuma ação criminosa contra bancos.

Os dados são de um levantamento do Sindicato dos Bancários do Ceará. A ação registrada em dezembro de 2018 foi contra uma agência do Bradesco em Itatira. Por volta das 3h, um grupo armado composto por cerca de 15 homens explodiu a agência. Segundo a polícia, a quadrilha estava armada de fuzis, pistolas e espingardas. Durante o ataque, parte do bando cercou o posto da polícia, enquanto os criminosos foram para o banco e para a entrada da cidade. Após explodirem a agência, o grupo fugiu e ninguém foi preso. Em março daquele mesmo ano, uma outra agência também foi explodida por criminosos na mesma cidade. E, em fevereiro, um grupo armado fez reféns e explodiu a agência dos Correios do município.

Até 2018 e em anos anteriores, era comum as madrugadas serem de terror e de medo nos municípios cearenses. Cenas como a que se viu nessa semana de uma ação contra uma agência bancária em Criciúma, em Santa Catarina, se tornaram rotineiras no Ceará, apesar do medo que elas sempre reascendiam. O modo operandi era sempre o mesmo: os bandidos sitiavam a cidade, disparavam tiros em frente ao destacamento policial, detonavam a agência e levavam o cofre ou malotes de dinheiro. Nem só os bancos eram alvos: agências da Caixa e dos Correios, que até então funcionava como correspondente do Banco Postal, também entravam na rota de explosões.

Nesta semana ataque a uma agência em Criciuma levou terror ao estado (Foto: reprodução)

Não bastasse o medo, o prejuízo era sempre devastador. Sem banco, a cidade tinha a economia estagnada. Clientes e funcionários viajavam para outros municípios onde tiravam o dinheiro. Mas, felizmente, esse cenário já não faz mais parte do Ceará. De acordo com um levantamento divulgado no fim de setembro pela Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS-CE), a redução desse tipo de crime no Estado foi de 84,1% comparando os oito primeiros meses deste ano em relação ao mesmo período de 2016. Há quatro anos, entre janeiro e agosto de 2016, foram registrados 44 casos de roubo ou furto contra sete do mês um ao mês oito de 2020. A pasta atribui os resultados a ações rápidas e precisas, inteligência e investigação policial, tecnologia aplicada à segurança pública e habilidade dos agentes de segurança.

Conforme o levantamento do Sindicato dos Bancários do Ceará, no ano passado foram registrados 47 casos de ações de roubo ou de explosões a caixas eletrônios e/ou agências bancárias em todo o estado. Nenhuma delas foi em cidades da região Centro. Este ano, o número é ainda menor: apenas quatro ações até agora, sendo que uma foi em uma agência no Centro de Fortaleza. As outras três foram registradas em Morrinhos, Umirim e a última em Groaíras, no dia 24 de abril, onde pelo menos cinco homens armados explodiram uma agência do Bradesco durante a madrugada. Com a explosão, a agência ficou destruída. Moradores relataram ter ouvido muitos tiros, de vários pontos da cidade, bem como o estrondo gerado pela explosão. Após o crime, os suspeitos utilizaram motocicletas para fugir, indo em direção à zona rural do município.

O secretário da SSPDS/CE, Sandro Caron, evidencia a integração entre as ações conjuntas das Polícias Civil e Militar, da Ciopaer e da tecnologia no emprego de diligências no enfrentamento às ações criminosas. “Nós estamos observando aqui no Estado, desde 2016, uma redução nesses crimes contra instituições financeiras. Deve-se ao trabalho integrado realizado pela Polícia Militar e também pelo trabalho de investigação da Polícia Civil, a interiorização da Ciopaer e o uso de ferramentas de tecnologia, como o videomonitoramento e o Sistema Policial Indicativo de Abordagem (Spia)”, explica o titular da SSPDS.

No início do mês de setembro deste ano, uma ação criminosa na cidade de Aratuba, na região do Maciço de Baturité, terminou com as prisões de quatro homens suspeitos de furtar dinheiro de uma agência bancária do município e simularem um ataque no estabelecimento bancário para que as autoridades policiais achassem que o dinheiro furtado tivesse sido levado por assaltantes. A Polícia Militar do Ceará (PMCE) apreendeu R$ 88 mil em espécie, além de armas de fogo e um veículo que teria sido utilizado na ação criminosa. O grupo foi autuado por furto qualificado mediante fraude, associação criminosa e dano qualificado. A investigação é conduzida pela Delegacia de Roubos e Furtos (DRF) da Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE).