“Não tive o direito de enterrar o meu bebezinho”, chora mãe ao denunciar negligência e descaso na saúde pública de Choró

Raquel Martins do Nascimento denuncia que negligência causou a morte de Levi Martins do Nascimento (foto: RC)

Região Central: O descaso no serviço público no município de Choró faz vítimas e deixa famílias destruídas. O relato a seguir é de uma mãe que chora e sente a mais cruel das dores, a perda de um filho. Essa jovem mostra na mão direita o Registro de Nascimento de Levi Martins do Nascimento, seu primeiro filho, mas em sua mão esquerda a Certidão de Óbito. Ao lado, sua papelada de um pré-natal ineficiente.

A jovem agricultora Raquel Martins do Nascimento, 21 anos, com muitas dificuldades conseguiu com os seus pais comprar enxoval. A chegada daquele anjo era aguardada com muito amor por todos, mas o péssimo serviço prestado pelo Município de Choró pode ter dado causa a morte ao seu filho, é o que denuncia Raquel.

Raquel, moradora da localidade de Canaúba Amarela, distrito de Caiçarinha procurou a reportagem do portal Revista Central para denunciar que foi vítima de negligência do serviço público de saúde, especialmente do Unidade Básica de Saúde-UBS de Feijão, zona rural de Choró. Ela não se inconforma com o tamanho descaso.

Segundo ela, seu pré-natal foi feito no PSF de Feijão, raramente atendida pelo médico e quase sempre por uma enfermeira. Conta que, quando estava com seis meses, por ordem profissional fez uma ultrassom simples e recebeu a informação de que sua gestação estava tudo normal. O erro começou justamente neste ultrassom.

Entretanto, quando foi no dia 27 de fevereiro de 2018, procurou a UBS para informar que havia passado a noite sem conseguir dormir com dores nas costas e seios, além de relatar que a sua pressão estava alta (aferição 18/10). Raquel Martins denuncia que a enfermeira apenas lhe mandou ir pra casa repousar e nenhum medicamento foi prescrito.

No dia seguinte, sem melhorar, mandou avisar aos profissionais de saúde da localidade que a sua pressão estava 19/10, mas o médico teria dito que na semana seguinte ela fosse para uma consulta.

Raquel percebendo que não estava normal, veio a Quixadá, quando um profissional de uma farmácia aferiu sua pressão se surpreendeu, pois estava 20/11. Diante da situação foi levada ao Hospital Maternidade Jesus Maria José, mesmo sem transferência da Secretaria de Saúde de Choró, os profissionais atenderam por terem percebido a gravidade.

A denunciante foi internada naquela casa de saúde de Quixadá, e diante da gravidade teve que ser transferida para o Hospital César Cals, em Fortaleza.

No Hospital César Cals fizeram um ultrassom doppler, cujo o ponto principal é saber do crescimento do feto e do estado de saúde. Caso em Choró, os profissionais tivessem mandado a vítima fazer, sem dúvida nada disse teria ocorrido.

Naquele hospital foi constatado que o bebê estava pequeno e sem nutrientes, sendo afetado drasticamente. Os médicos do César Cals disseram que só tinham duas opções, mãe e filho morrem ou fazer o parto prematuro, sendo realizado a última.

“Eu não tive se quer o direito de participar do enterro de meu filho”

Levi Martins do Nascimento ainda resistiu a cinco dias de vida, mas para a tristeza e angustia de todos, não resistiu. Esse pequeno não teve o direito de viver. Ele foi mais uma vítima do descaso e da negligência.

A mãe Raquel Martins não se conforma, segundo ela, o prefeito Marcondes Jucá ou a secretária de saúde nunca lhe procuraram, mesmo sendo de amplo conhecimento em Choró. “Se quer um pedido de desculpas eles fizeram humildade”.

Seu silêncio durante esses meses não foi por aceitação, mas com medo de represálias, entretanto, teve a coragem de procurar a imprensa: “Só eu sei a dor no meu coração, era meu primeiro filho. Eu ia cuidar com muito amor, porque eles fizeram isso comigo? Estou denunciando para que outras mães não passem por este sofrimento”. Raquel pretende processar o Município de Choró.

“Eu não tive se quer o direito de participar do enterro de meu filhinho”, diz a moça ao lembrar que ainda estava hospitalizada no dia do sepultamento. Chora ao olhar as roupinhas da criança.

“Eu não tenho nada contra a esse prefeito, mas ele deveria ter pelo menos a humildade de pedir desculpas pelo descaso”, finaliza.

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