Arte do sertão: quem é Antônio Rabelo, o desing de Quixeramobim premiado com o Troféu Sereia de Ouro?

Antônio Rabelo: traço sertanejo como elemento produtor de arte (Foto: divulgação)

Quixeramobim: da mente que formula a inspiração e que compõem a fabricação de anéis, colares e brincos artenasais, saem também os traços que fazem das jóias produzidas por Antônio Rabelo algo peculiar: o estilo sertanejo, o mesmo que bate forte no peito do artista e pulsa no coração, e que o transforma como alguém bem maior do que resumido ao título de um desingner: mostra a ousadia do homem que tira das paisagens do sertão, com chão batido, terra seca e folhagem cinza, a sua maior essência.

Francisco Antônio Rabelo carrega em sua história e no seu trabalho, méritos que o fizeram ser contemplado com o Troféu Sereia De Ouro, uma honraria do Sistema Verdes Mares que mantém o sinal afiliada da TV Globo no Ceará, às personalidades cearenses que mais se destacaram no estado pelo seu trabalho, caráter e papel social que assumem. A cerimônia este ano foi cancelada em função da pandemia e os homenageados estão sendo apresentados em vinhetas distribuídas no decorrer da programação da TV Verdes Mares.

Ao se apresentar no vídeo, Rabelo traduz logo o seu legado mais pertinente: ser um quixeramobiense. “Antonio Rabelo é um homem simples, nascido em Quixeramobim no centro do estado cheio de orgulho de viver nesse lugar”. Além de design ele também assume o ofício de fotógrafo algumas vezes. “Eu aprendi fotografia com meu pai e com minha mae, acabei desenvolvendo esse trabalho. Fui embora para o Pará fotografar garimpeiro, fiz um trabalho fantástico lá que me agregou muito como ser humano”.

Quem é este homem?

Com 45 anos e tendo quase 30 dedicados à arte, teve dois filhos com Maria Lúcia Araújo: Antônio Darvin Araújo Rabelo e David Einstein Araújo Rabelo. Desde muito cedo parecia reconhecer o talento que tinha com as mãos em produzir arte. Antes, chegou a trabalhar fazendo reparos em máquinas de datilografas e cortou cabelos, mas foi só um curso de lapidação chegar em Quixeramobim, em 1991, para Rabelo passar a se autoconhecer e explhorar o dom que possuía.

Rabelo com lapidadores em matéria registrada há cerca de cinco anos pelo jornal O Povo

Se destacou tanto no curso que dali em diante, contruiria uma grande afinidade com o dia a dia do garimpo e a lapidação. Gostou tanto da área que chegou a arrumar um emprego de fotógrafo em um desses garimpos. Fruto de sua perseverança, voltaria tempos mais tarde para Quixeramobim onde se empregaria na mineradora do estado, a Ceminas. Tentou ser instrutor do curso na escola de lapidação mas a economia apertou na época e ele foi demitido, se obrigando a ir para Fortaleza onde iria tentar a sorte.

Conheceu sua esposa nesta época e se dividiam para tentar fazer dinheiro: ela, vendia sanduíches e ele pintava quadros, mas não conseguia vendê-los, razão pela qual mais uma vez, sem dinheiro, se viu obrigado a retornar para Quixeramobim. Na nova tentativa de viver na cidade natal, montaram uma lojinha de artesanato, que mais tarde se transformaria numa pequena empresa. O empreendimento chamou a atenção do então prefeito, Cirilo Pimenta, que intermediou sua chegada até a então primeira-dama do Ceará, Renata Jereissati, que lhe apresentou à professora de desing Maria Lúcia Barbosa.

Vencedor na vida

Os tempos mudaram e Antônio Rabelo cresceu. Hoje, no comando de sua ceará Designer, empresa fundada em 2002, com sua experiência, de também saber orientar futuros artesãos de jóias, treinou todos os seus colaboradores e com e com a visão de um futuro para seu empreendimento, controla ele próprio com seus familiares a qualidade das Jóias de ceará designer. Produzindo Jóias com desenhos criativos e inéditos, Rabelo já lançou quatro coleções: Trama, Mandacaru, Folhas e Cactos.

Uma de suas peças, produzidas pela empresa Ceará Desing

Tendo Participado de varias exposições de jóias pelo Brasil e no exterior, com seu trabalho reconhecido pela criatividade e delicadeza das peças criadas, tem o dom de todos os gênios, e a coragem do sertanejo, onde fica bem gravado, sua ligação com o meio ambiente em que vive. Fabrica anéis, braceletas, pulseiras, brincos, colares e pedantes que não saem por menos de R$ 400. Em seu portifólio, há trabalhos primorosos que chegam a custar R$ 1.300.

A arte minuciosa e delicada do quixeramobinense já ultrapassou as fronteiras da América Latina e as pelas são exportadas até para países da Europa e até nas novelas da teledramaturgia brasileira. Na trama O Outro Lado do Paraíso, de Walcir Carrasco, a atriz Érika Januza apareceu em uma das cenas usando um dos brincos do artista quixeramobiense.

Reconhecimento

Por tudo o que conquistou, Antônio Rabelo alcança agora um dos mais altos postos de sua trajetória: a de ser congratulado com o Sereia de Ouro. O Troféu completa este ano a marca de 50 edições e é mantido desde 1971, pelo Sistema Verdes Mares que homenageia, anualmente, personalidades que se destacam por terem se sobressaído dentre tantas histórias de sucesso no nosso Ceará.

“Eu acho que o Ceará é a minha alma, aqui eu criei minha família eu desenvolvi minha vida, e tenho um sentimento muito forte com esse lugar. E o meu trabalho fala das nossas raízes, do nosso povo, eu tenho orgulho”, disse ele em mensagem veiculada no vídeo da premiação. As histórias emocionantes e inspiradoras desses cearenses você conhecerá, neste mês de setembro, através dos veículos de comunicação do Sistema Verdes Mares.

nota do editor: no jornalismo, os perfis são construídos sempre a partir de entrevistas. Neste caso, não conseguimos contato com o personagem da matéria, por isso, recorremos a materiais dos últimos 20 anos em jornais, revistas e sites, que trouxeram entrevistas e depoimentos de Antônio Rabelo e também de seu próprio site.