Uma moradora de Fortaleza relatou nas redes sociais ter perdido duas casas da família, e acumulado cerca de R$ 50 mil em dívidas, por conta de vícios em jogos online de aposta. O vídeo, publicado no início desta semana, ultrapassou 170 mil visualizações.
Assíria Macêdo, de 29 anos, que trabalha como extensionista de cílios, contou sobre o impacto do comportamento na vida familiar e econômica. “Se tivesse 5 mil na minha conta, eu jogava 5 mil. Se eu tivesse qualquer quantia na minha conta, eu jogava. Isso me destruiu, destruiu a minha vida, destruiu meu casamento, destruiu o meus pais. Eu perdi tudo”, disse.
Segundo a jovem, o hábito começou há cerca de quatro anos como forma de entretenimento, mas evoluiu para uma prática compulsiva. Ela afirma ter acumulado dívidas de aproximadamente R$ 50 mil, além de envolver familiares em tentativas de quitar os valores.
“Fiz muita dívidas com agiotas, meu esposo fez de tudo para ajudar e pagar as dívidas, mas acabou se afundando também, pois eu não falava a verdade e acabava jogando de novo. Meu pai e minha mãe venderam as casas deles para pagar as dívidas e, hoje, a gente mora de favor”, falou a jovem.
Transtorno
O vício em jogos de azar é uma doença: o nome é Ludopatia e a patologia de ordem psicológica é reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A condição é caracterizada pelo desejo incontrolável de jogar ou apostar, mesmo diante de prejuízos financeiros e emocionais.
No Brasil, a ludopatia é classificada pela Classificação Internacional de Doenças (CID) sob os códigos F63.0 (jogo patológico) e Z72.6 (mania de jogo e apostas). Ela é considerada um transtorno do controle de impulsos, semelhante à dependência química. A estimativa é de que pelo menos 2,78 milhões de brasileiros convivam com o transtorno.
Ainda não há um protocolo único para o tratamento da ludopatia. O mais recomendado é o acompanhamento psicológico e psiquiátrico, com uso de medicamentos inibidores de recaptação da serotonina em alguns casos.
