Presença quase obrigatória na ceia de Natal e motivo de debates à mesa, a uva-passa que aparece em pratos como arroz, farofa, salpicão e panetone tem uma origem que passa longe das lavouras brasileiras. A maior parte do produto vendido no país vem do exterior, já que a produção nacional é pequena e enfrenta limitações climáticas e de custo.
Segundo dados da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o Brasil não reúne as condições ideais para a produção em larga escala da fruta. O processo exige clima muito quente e com baixa umidade, típico de regiões desérticas. Embora o Nordeste seja seco, ele ainda apresenta umidade acima do necessário.
Uma alternativa seria a secagem em fornos, mas esse tipo de processo encarece a produção por causa do alto custo da energia elétrica.
Dados do Ministério da Agricultura mostram que, entre janeiro e novembro de 2024, o país importou mais de 20,7 mil toneladas de uva-passa, movimentando cerca de US$ 48 milhões. A maior parte desse volume veio da Argentina, favorecida pela proximidade geográfica e pelas regras comerciais do Mercosul, que reduzem tarifas entre os países do bloco.
Para garantir qualidade, a uva usada na produção da passa precisa ser colhida no ponto de madura, semelhante ao tipo que comemos em casa. Após a secagem, o produto final mantém cerca de um terço do peso original. O método mais tradicional é a exposição ao sol, com as uvas dispostas em plataformas e viradas periodicamente.
Antes da desidratação, as uvas passam por lavagem e recebem tratamentos para retirar a oleosidade da casca, acelerando a perda de água. Em algumas indústrias, substâncias específicas são usadas para manter a coloração durante o processo.
