O jornalista e quixadaense Ismar Capistrano Filho, que morreu no final do mês de março deste ano por complicações de saúde, ganhou uma homenagem em um Obituário, na edição impressa do jornal Folha de São Paulo, desta quinta-feira (26). O texto enalteceu a figura intelectual de Ismar, como um homem que lia muito e que usava a natureza como fonte de absorção do aprendizado.
O Obituário foi escrito pelo estudante de jornalismo Giordano Barros, natural do município de Madalena, que integra a 69ª turma do programa de Trainee da Folha, método que fornece técnicas de jornalismo diário em um intensivo de três meses, com os melhores e mais premiados jornalistas da Folha. Leia na íntegra, aqui.
“Ismar Capistrano Costa Filho gostava de caminhar. Depois de uma boa leitura, fosse da jornalista argentina Beatriz Sarlo ou do antropólogo Jesús Martín-Barbero, colocava o livro de lado, pegava a guia do border collie Bart e saía. Dizia que precisava da natureza para digerir o que aprendia”, diz o texto de abertura.
A publicação destacou que Ismar Capistrano saiu de Quixadá, município onde nasceu e cresceu, com 18 anos com o desejo de estudar em Fortaleza “e nunca mais parou”, como destacou a Folha. Prova disso foi a titulação de Doutorado que possuía pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
O texto mostrou um lado pujante da intelectualidade de Ismar Capistrano que poucos conheciam: “estudou rádios comunitárias zapatistas no México”, até fundar sua própria rádio comunitária. A paixão pela comunicação lhe levou a professor da Universidade Federal do Ceará, onde lecionou até onde a doença lhe permitiu ir, mas sempre conhecido pelo rigor da didática: “Era brabo, não dava colher de chá para aluno”.
Descrito como dono de um rigor técnico e conhecimento erudita como poucos possuem (tanto que o nome do seu cachorro de estimação era Bart, o mesmo nome do compositor de músicas clássicas), Ismar Capistrano lutou contra um câncer no fígado até 25 de março de 2025. Ele descobrira a doença em 2023, mas trabalhou até um mês antes de sua morte, como prova de seu vigor.
Deixou a mulher, Patrícia, os irmãos Iafa e Caio, a mãe Anunciada Maria, e o cachorro de estimação, além de um legado invejável, como poucos cearenses que remam pelo mar da comunicação, têm o poder de construir.
