Um levantamento divulgado nesta quinta-feira (23) pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), em parceria com a organização internacional Vital Strategies, revela que 147 dos 184 municípios cearenses apresentam alta densidade de focos de calor e necessitam de ações urgentes para reduzir os impactos ambientais. Os dados fazem parte do novo Painel Crianças e Meio Ambiente, plataforma que reúne indicadores ambientais de mais de 5,5 mil cidades brasileiras.
O estudo considera a relação entre a quantidade de focos de calor registrada em cada município e o número de habitantes, comparando os resultados com cidades de porte semelhante. A partir dessa metodologia, os municípios foram classificados em níveis de prioridade — alta, média ou baixa — conforme o grau de vulnerabilidade. De acordo com especialistas, a maior parte desses focos está ligada às queimadas, que além de elevar as temperaturas, comprometem a qualidade do ar, degradam o solo e afetam a vegetação.
A pesquisa alerta que o cenário pode se agravar no segundo semestre deste ano devido à influência do fenômeno El Niño, que tende a intensificar períodos de seca, elevar as temperaturas e favorecer a ocorrência de queimadas. A expectativa é que os termômetros no Ceará registrem aumento entre 1,5°C e 2°C até dezembro, ampliando os riscos para a população e para o meio ambiente.
O levantamento também destaca que as crianças estão entre os grupos mais vulneráveis aos efeitos das mudanças climáticas. Segundo o Unicef, a exposição à poluição do ar pode provocar impactos mais severos no desenvolvimento infantil, enquanto eventos extremos, como queimadas e chuvas intensas, afetam principalmente famílias em situação de vulnerabilidade social. Entre os municípios cearenses, Santana do Cariri aparece como o caso mais preocupante, sendo o único do Estado classificado em situação grave em mais de dez indicadores ambientais avaliados pelo estudo.
