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14 policiais militares são presos por receber propina para facilitar tráfico de drogas

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14 policiais militares são presos por receber propina para facilitar tráfico de drogas. Foto: divulgação

Fortaleza: Uma grande operação deflagrada na manhã desta segunda-feira (29) pelo Ministério Público do Ceará (MPCE) resultou na prisão de 14 policiais militares suspeitos de integrar um esquema criminoso que envolvia o recebimento de propinas para facilitar o tráfico de drogas na capital cearense.

A ação, batizada de Operação Kleptonomos, foi conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e contou com o apoio da Coordenadoria de Inteligência da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS).

De acordo com o MPCE, os policiais presos atuavam principalmente na área da Grande Messejana, em bairros como Pôr do Sol e no Residencial dos Escritores, onde, segundo as investigações, recebiam pagamentos mensais de traficantes para garantir que as atividades do crime organizado ocorressem sem interferência policial. Além disso, os agentes também são suspeitos de fornecer informações privilegiadas aos criminosos e de extorquir dinheiro de moradores e traficantes locais.

Ao todo, foram cumpridos 34 mandados judiciais, sendo 16 de prisão preventiva e 17 de busca e apreensão, em diferentes cidades, incluindo Fortaleza, Itaitinga, Maracanaú, Russas (no Ceará) e Maceió (em Alagoas). A Justiça também determinou a suspensão cautelar do exercício da função pública para os envolvidos. As investigações começaram ainda em 2022, a partir de denúncias anônimas que apontavam a atuação criminosa de grupos de policiais em determinadas áreas da capital cearense.

Os crimes investigados incluem organização criminosa, corrupção passiva com causa de aumento de pena, extorsão qualificada e facilitação do tráfico de drogas. O MPCE destacou que a atuação dos policiais era contínua e sistemática, com ações voltadas para garantir a segurança dos pontos de venda de drogas e a impunidade dos líderes do tráfico nas comunidades. A suspeita é de que eles agiam não apenas como protetores dos criminosos, mas também como membros de um esquema de poder paralelo, instrumentalizando sua autoridade para o benefício de facções.

O nome da operação, “Kleptonomos”, é uma junção de termos gregos que remetem à ideia de roubo da legalidade — uma referência simbólica à conduta dos militares envolvidos, que usavam o aparato estatal para sustentar práticas ilegais. O Ministério Público afirmou que os envolvidos serão responsabilizados criminalmente e administrativamente, podendo ser exonerados da corporação e condenados judicialmente. As investigações continuam com a análise de materiais apreendidos e informações obtidas por meio da quebra de sigilo telefônico.

A operação representa mais um capítulo no esforço do Estado para combater a infiltração do crime organizado nas instituições públicas. O MPCE reforça que a população pode colaborar com denúncias anônimas por meio dos canais oficiais e garante que todas as informações serão tratadas com o devido sigilo.

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