José “Pepe” Mujica, ex-presidente do Uruguai e ícone da esquerda latino-americana, faleceu nesta terça-feira (13), aos 89 anos, em sua residência, em Montevidéu. A causa da morte foi um câncer de esôfago, diagnosticado em abril de 2024, que posteriormente se espalhou para o fígado. Mujica optou por interromper o tratamento em junho do mesmo ano e passou seus últimos meses sob cuidados paliativos, ao lado de sua esposa, a ex-vice-presidente Lucía Topolansky.
Nascido em 1935, Mujica teve uma trajetória marcada por sua participação no movimento guerrilheiro Tupamaros durante os anos 1960, sendo preso e passando quase 15 anos encarcerado durante a ditadura militar uruguaia. Com a redemocratização, foi anistiado em 1985 e iniciou sua carreira política no partido Frente Ampla, ocupando cargos de deputado, senador e ministro da Agricultura.
Entre 2010 e 2015, presidiu o Uruguai, implementando reformas progressistas como a legalização do aborto, do casamento igualitário e da maconha, além de programas sociais como o “Plan Juntos”, que visava construir moradias para famílias em situação de vulnerabilidade.
Conhecido por seu estilo de vida austero, Mujica residia em uma pequena chácara, dirigia um Fusca 1987 e doava a maior parte de seu salário presidencial para instituições de caridade. Sua simplicidade e discurso humanista o tornaram uma figura admirada internacionalmente.
A morte de Mujica gerou comoção em toda a América Latina. Líderes como o presidente uruguaio Yamandú Orsi, o colombiano Gustavo Petro e a mexicana Claudia Sheinbaum expressaram pesar e destacaram seu legado de integridade e compromisso com a justiça social.
