Morreu aos 98 anos, na noite desta terça-feira (13), o médium baiano Divaldo Franco, considerado uma das maiores referências da religião espírita no Brasil, e tido por muitos como sucessor do fundador da religião no país, o mineiro Chico Xavier.
“O semeador saiu a semear”. Com essa frase, em tom poético e sem aspecto fúnebre, a Federação Espírita do Brasil (FEB) confirmou a morte de Divaldo. O óbito foi constatado às 21h45 na sua casa, na Mansão do Caminho.
A ausência do tom melancólico na notícia da morte de Divaldo Franco revela as nuances da filosofia espírita acerca do processo de morte e morrer: para os adeptos da religião a morte é entendida como um processo de desencarnação, e significa o recomeço de uma nova etapa.
A causa oficial da morte de Divaldo não foi divulgada, mas sabe-se que ele lutava contra um câncer na bexiga desde novembro do ano passado, e na noite deste dia 13 de maio, teve falência múltipla de órgãos, apurou e informou o G1.
Divaldo Pereira Franco se notabilizou por realizar trabalhos filantrópicos por mais de 70 anos. O mais expressivo deles é a Mansão do Caminho, casa que acolhe crianças em situação de vulnerabilidade e abandono na Bahia. Muitos dos que moram lá, senão todos, são registrados como filhos de Divaldo.
Sua família era de origem católica, mas, conforme palestras que deu em vida, ainda na infância começou a ver e ouvir espíritos, o que levaria e se descobrir médium, anos mais tarde.
Com o recurso da psicografia, (prática mediúnica onde, segundo os espíritas, o médium escreve mensagens ditadas por alguém que já morreu) escreveu mais de 200 livros. Em vida, realizou mais de 12 mil conferências em cerca de duas mil cidades brasileiras e viajou por 60 países divulgado a doutrina a qual liderava.
De acordo com a FEB, o velório será realizado no Ginásio da Mansão do Caminho, das 9h às 20h, do dia 14 de maio (quarta-feira). O sepultamento ocorrerá na quinta-feira seguinte, às 10h, no Cemitério Bosque da Paz.
