Com a poeira e o clima seco, comuns na região do Sertão Central nesta época do ano, cresce o número de pessoas que recorrem aos descongestionantes nasais para aliviar a sensação de nariz entupido. O que muitos desconhecem é que o uso frequente e sem orientação médica desses medicamentos pode ir além do alívio temporário.
A longo prazo, o uso sem orientação médica pode trazer consequências para a saúde. Especialistas alertam que o uso frequente desses medicamentos pode ultrapassar o sistema respiratório e provocar impactos na pressão arterial e nos batimentos cardíacos, além de dependência, tipo de efeito colateral muito comum.
“Os descongestionantes nasais promovem a contração dos vasos sanguíneos para reduzir o inchaço da mucosa e melhorar a passagem do ar. O problema é que essa ação não ocorre apenas no nariz”, explica o médico cardiologista do Hospital Igesp, de São Paulo, Alberto Terrível.
“Em algumas pessoas essas substâncias podem contribuir para o aumento da pressão arterial e da frequência cardíaca, além de favorecer episódios de palpitação”, completa o médico. O alerta é ainda maior especialmente para aquelas pessoas com hipertensão, insuficiência cardíaca, arritmias ou fatores de risco cardiovasculares.
Embora sejam eficazes para o alívio do emtupimento do nariz, os descongestionantes não devem ser encarados como uma solução permanente. O uso limitado é fundamental para evitar complicações. Segundo o especialista, uma estratégia importante para quem utiliza descongestionantes há muito tempo é estabelecer um plano para abandonar o hábito.
“Muitas pessoas carregam o medicamento na bolsa, deixam um frasco ao lado da cama e passam a utilizá-lo automaticamente diante de qualquer desconforto. Romper essa rotina é fundamental para reduzir a dependência do produto e evitar a exposição contínua aos seus efeitos sistêmicos”, afirma.
