Uma mulher de 62 anos foi resgatada em situação análoga à escravidão em uma residência localizada em um condomínio de luxo no município de Eusébio, na Região Metropolitana de Fortaleza. Segundo a Auditoria-Fiscal do Trabalho, ela trabalhava para a mesma família desde os sete anos de idade, sem receber salário mensal e sem ter acesso à educação ou autonomia financeira.
De acordo com a investigação, a vítima foi levada para a casa dos empregadores em 1971 e permaneceu prestando serviços domésticos por mais de cinco décadas, acompanhando três gerações da mesma família. No momento do resgate, realizado em junho deste ano mas divulgado somente nesta segunda-feira (6), ela era responsável pelos afazeres da residência e pelos cuidados de duas crianças.
Os empregadores firmaram um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) com o Ministério Público do Trabalho (MPT), comprometendo-se a pagar R$ 50 mil em verbas rescisórias, regularizar as contribuições previdenciárias referentes ao período reconhecido e adquirir um imóvel residencial para a trabalhadora. A fiscalização constatou ainda que a mulher nunca recebeu remuneração regular pelo trabalho prestado.
Segundo a Auditoria-Fiscal do Trabalho, os direitos trabalhistas não pagos ao longo dos anos, incluindo salários, férias, 13º salário, FGTS e horas extras, podem ultrapassar R$ 1,5 milhão.
Inscrita no Cadastro Único, ela sobrevivia com o benefício do Bolsa Família, de R$ 600 mensais, cujo saque era realizado pela empregadora antes de o dinheiro ser repassado à trabalhadora.
Conforme apuração do g1, a vítima permanece na residência enquanto recebe acompanhamento psicossocial para adaptação à vida fora do ambiente em que viveu durante mais de 50 anos.
