Quixeramobim: Luiz Paulino de Araújo, paciente do Hospital Regional do Sertão Central (HRSC) em Quixeramobim, vivenciou uma situação singular: debulhar feijão durante a internação. Ele teve a vontade realizada depois de uma articulação dos profissionais da equipe multiprofissional do equipamento, que notaram a saudade do paciente da lida na roça. Após a ação, seu Luiz apresentou melhora significativa no humor.
Dos 76 anos de vida dele, mais de 50 foram lidando com plantação. No pedacinho de chão que possui em Tauá, município onde mora, Luiz plantou fava, milho, jerimum e feijão, mas, depois que a chuva caiu e chegou a hora de colher, ele precisou ser internado para fazer uma cirurgia na unidade da Rede Sesa.
Longe de casa e sem poder apanhar o feijão que plantou, o paciente começou a apresentar um quadro de humor mais deprimido, fato que chamou atenção das equipes multi. A enfermeira Cynara Nobre, que compõe o Núcleo de Experiência do Paciente (Nexp) do HRSC, articulou-se junto à equipe da Unidade de Cuidados Especiais (UCE) e do serviço de Psicologia para atender ao desejo dele. “Demos a mesma importância a esse fato, possibilitando não só que ele tivesse um desejo realizado, mas que pudesse se reconectar com sua essência”, analisa Cynara.
Quando um paciente expressa desejos que fogem do usual, o Serviço de Controle de Infecção Hospitalar (SCIH) também entra em cena, garantindo que todos os requisitos de segurança dele sejam atendidos. “Nós avaliamos os possíveis riscos como hipótese de contaminação do material, presença de sujeira ou matéria orgânica, e também as condições clínicas do paciente, o ambiente onde a atividade será realizada e os impactos para os demais. Só depois dessa análise é que a atividade pode ser liberada de forma segura“, explica a enfermeira do SCIH do HRSC, Anny Leal.
Para o diretor-administrativo do HRSC, Elisfabio Duarte, presidente do Núcleo de Experiência do Paciente (Nexp), “uma das coisas mais impactantes nas instituições que promovem a cultura do cuidado centrado na pessoa é que esse cuidado foca na experiência do paciente. Nessa perspectiva, o agir profissional vai muito além da técnica: envolve captar o sentimento, a percepção e as necessidades de quem recebe o cuidado”.
