Ministério Público ajuíza ação para garantir o completo funcionamento do Hospital Regional do Sertão Central

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Hospital do Sertão Central, em Quixeramobim, no interior do Ceará (Foto: Governo do Estado/Divulgação)

O Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE), por meio das Promotorias de Justiça de Quixeramobim, ajuizou Ação Civil Pública (ACP), na quarta-feira (22/05), contra o Estado do Ceará para garantir o completo funcionamento do Hospital Regional do Sertão Central (HRSC), conforme planejado e prometido inicialmente pelo Governo, nos moldes em que funcionam os dois outros Hospitais Regionais na Região do Cariri e na Região Norte do Estado.

A Promotoria verificou que a maioria dos serviços, prometidos à população e idealizados no cronograma de implantação do Hospital, de fato, estão funcionando, todavia, até hoje não funciona: a emergência obstétrica, a neurologia, a neurocirurgia, a traumatologia, bem como o atendimento de urgência e emergência “Portas Abertas”, sendo que a placa existente desde a inauguração indicando a Emergência do Hospital foi retirada sem qualquer explicação.

Conforme apurado pelo MPCE, mais de quatro anos após a inauguração do Hospital Regional do Sertão Central, se uma pessoa sofrer um acidente grave na CE 060, nas imediações da unidade hospitalar, ela não é encaminhada para o referido Hospital, mas para o Hospital Geral de Fortaleza (HGF) ou o Instituto Doutor José Frota (IJF) ou até mesmo o Hospital Regional do Cariri. “Constata-se que existe uma ‘Ala’ enorme para o serviço de emergência hospitalar, toda equipada, com instalações modernas desde a sala de atendimento e espera, passando por vários consultórios, ambulatórios, até os leitos prontos para internação. Todavia, até hoje, a população do Sertão Central tem que se dirigir à Fortaleza ou à região do Cariri para receber pronto atendimento em casos mais graves e urgentes”, ressaltam os promotores de Justiça Vicente Anastácio e Raqueli Costenaro.

Por isso, por meio de atuação conjunta das duas Promotorias de Justiça, tramita Inquérito Civil Público, sob o n.º 2014/89536, com o objetivo de apurar responsabilidades pelo não funcionamento integral do HRSC, inclusive eventuais atos de improbidade administrativa em relação à entrega da obra com problemas estruturais, bem como a contratação de pessoal em seleção pública com supostas irregularidades.

Há dois anos, o MPCE busca a efetiva ação do Estado do Ceará a fim de solucionar a problemática. A exemplo, em 8 de dezembro de 2016, o Ministério Público requisitou à Secretaria de Saúde do Estado (Sesa) encaminhamento do cronograma das etapas de abertura do HRSC, com a indicação de eventuais pendências de cada fase, recebendo resposta em 9 de janeiro de 2017. Com a finalidade de acompanhar o cronograma, o MPCE inspecionou a unidade hospitalar em 22 de junho de 2017, realizando reunião com a Sesa em 4 de setembro de 2018. Nova inspeção foi feita na data de 22 de novembro de 2018, sendo constatada a retirada do letreiro EMERGÊNCIA do Hospital, por determinação da Secretaria de Saúde. Nesse contexto de parcial funcionamento do HRSC, o MPCE enviou, ainda, em 27 de março de 2019, Recomendação ao Governo do Estado, não obtendo resposta.

Assim, na ACP, os promotores de Justiça requerem a concessão de tutela antecipada, no sentido de que sejam os promovidos obrigados a: no prazo de três meses, abrir, real e efetivamente, o serviço de atendimento de urgência e emergência do Hospital, promovendo o funcionamento integral da unidade hospitalar, nos termos pensados inicialmente, principalmente no que se refere ao serviço de traumatologia, obstetrícia e neurologia; bem como seja recolocado, imediatamente, o letreiro “Emergência” do HRSC, no mesmo local de onde foi retirado. O descumprimento da medida dentro do prazo estipulado pode acarretar multa pessoal diária no valor de R$ 10 mil, cujo ônus deverá recair sobre o governador do Ceará, Camilo Santana, e o secretário de Saúde do Estado, Carlos Roberto Martins Sobrinho, de forma a não onerar o erário.