Um veículo que pode ter ligação com o assassinato do soldado da Polícia Militar Raphael Sampaio da Silva foi localizado e apreendido pela polícia na tarde desta sexta-feira (14), em Fortaleza. O militar foi morto a tiros e teve o corpo encontrado carbonizado dentro de um carro, em Itaitinga, na Região Metropolitana de Fortaleza.
O automóvel foi encontrado nas proximidades da Avenida Washington Soares, na região de Messejana. Após a localização, equipes da Polícia Militar, da Perícia Forense do Ceará (Pefoce) e do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) foram acionadas.
Segundo a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS), o carro passou por perícia ainda no local e, posteriormente, foi recolhido para os procedimentos de investigação. Até o momento, as autoridades não informaram quem é o proprietário do veículo nem qual teria sido sua participação no crime.
A apuração está sendo conduzida pela Delegacia de Homicídios contra Agentes de Segurança Pública (DHASP), que busca esclarecer a dinâmica do assassinato e identificar todas as pessoas envolvidas.
Policial que inicialmente disse ter sido sequestrada está presa
A soldado PM Júlia Natália Girão Gomes, que trabalhava no mesmo batalhão de Raphael, está presa sob suspeita de participação no homicídio. O marido dela, Antoneudo Ribeiro Lima Júnior, também foi detido e é investigado no caso.
Inicialmente, Júlia afirmou aos investigadores que também havia sido vítima da ação criminosa. Segundo a versão apresentada por ela, os dois policiais deixaram o serviço durante a madrugada e, após ela pedir uma carona a Raphael, o veículo teria sido abordado por criminosos.
Ela relatou que os suspeitos teriam retirado Raphael do carro, matado o soldado e colocado Júlia amarrada no porta-malas de outro veículo. Posteriormente, a policial foi encontrada em uma área de mata, em Aquiraz.
Durante o avanço das investigações, porém, os relatos apresentados pela soldado passaram a ser questionados pelas autoridades. Contradições no depoimento e imagens obtidas durante as diligências contribuíram para a mudança da linha investigativa.
Registros de câmeras também teriam mostrado Júlia em situações incompatíveis com alguns dos horários descritos por ela aos investigadores, incluindo imagens relacionadas à oficina do marido e à ida do casal para deixar a filha na escola.
Perícia descarta amputação
A análise realizada pela Pefoce no corpo de Raphael Sampaio também ajudou a esclarecer informações que circularam após o crime.
Conforme a SSPDS, os exames não identificaram amputações traumáticas. A perícia apontou que o soldado sofreu ferimentos provocados por disparos de arma de fogo ainda em vida e que, posteriormente, o corpo foi carbonizado.
Raphael tinha 27 anos e havia trabalhado com Júlia horas antes de ser morto. O corpo dele foi localizado na terça-feira (11), em um veículo no bairro Ancuri, em Itaitinga.
Investigação continua
Além das prisões, os investigadores analisam imagens, depoimentos, veículos e outros elementos que possam ajudar a reconstruir os últimos momentos de Raphael e esclarecer a participação de cada suspeito.
A polícia também apura informações sobre um possível relacionamento entre Raphael e Júlia. A existência de uma relação extraconjugal entre os dois foi mencionada por uma familiar do soldado durante o velório, mas as circunstâncias e a eventual relação desse fato com o homicídio ainda são objeto de investigação.
As autoridades ainda não divulgaram uma conclusão definitiva sobre a motivação do assassinato. O caso permanece sob investigação da DHASP, que realiza novas diligências para esclarecer o crime.
