Uma operação policial resultou na prisão de 37 pessoas investigadas por integrar um esquema de estelionato conhecido como golpe do falso advogado. De acordo com a Diretoria de Combate a Crimes Cibernéticos da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), o grupo é suspeito de causar prejuízo superior a R$ 1 milhão a vítimas no estado do Pará.
Batizada de Operação Data Venia, a ofensiva foi coordenada pela Polícia Civil do Pará, com apoio do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e da Polícia Civil do Ceará. A ação, realizada na última quinta-feira (23) e divulgada nesta segunda-feira (27), cumpriu 54 mandados de prisão preventiva e 60 mandados de busca e apreensão em municípios cearenses.
Segundo as investigações, a organização criminosa utilizava técnicas de engenharia social para enganar as vítimas. Os suspeitos entravam em contato por aplicativos de mensagens, apresentando-se como advogados ou representantes de escritórios de advocacia. Para tornar a fraude mais convincente, utilizavam informações públicas de processos judiciais e linguagem jurídica.
Com essa estratégia, os criminosos convenciam as vítimas de que elas teriam valores a receber em ações judiciais. Em seguida, exigiam o pagamento antecipado de supostas custas processuais, impostos ou taxas cartorárias, alegando que esses valores seriam necessários para liberar o dinheiro.
As investigações, conduzidas pela Diretoria Estadual de Combate a Crimes Cibernéticos da Polícia Civil do Pará, também identificaram registros de ocorrências envolvendo os mesmos investigados nos estados de Mato Grosso, Amazonas e Amapá, indicando que o grupo atuava em diferentes regiões do país.
A apuração continua com a análise dos aparelhos eletrônicos e demais materiais apreendidos durante a operação. O objetivo é identificar outros integrantes da organização criminosa, além de rastrear o destino dos recursos obtidos por meio das fraudes.
Conforme o Ministério da Justiça, os investigados poderão responder por crimes como estelionato eletrônico, associação criminosa, organização criminosa e lavagem de dinheiro, a depender da participação de cada um no esquema.
Como evitar o golpe
O Ministério da Justiça orienta que a população desconfie de mensagens solicitando pagamentos via PIX ou transferência bancária para liberar valores relacionados a processos judiciais. A recomendação é confirmar qualquer cobrança diretamente com o advogado ou escritório responsável, utilizando apenas canais oficiais.
Além disso, o órgão alerta para que não sejam realizadas transferências para contas de terceiros ou chaves PIX desconhecidas. Em caso de suspeita de golpe, a orientação é registrar um boletim de ocorrência e guardar provas, como capturas de tela das conversas, comprovantes de pagamento e os números utilizados pelos golpistas.
