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Estudante do IFCE Quixadá investiga impactos da poluição do ar em Banabuiú

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Estudo utiliza dados técnicos e percepção da população para evidenciar efeitos da fuligem na saúde e no cotidiano de moradores. Foto: divulgação

Uma pesquisa desenvolvida por um estudante do campus de Quixadá do Instituto Federal do Ceará (IFCE) está dando visibilidade aos impactos da poluição atmosférica no município de Banabuiú, no Sertão Central cearense. O trabalho, realizado por Eduardo Lopes, analisa a presença de partículas poluentes no ar e seus efeitos na saúde e na qualidade de vida da população, combinando dados técnicos com relatos dos próprios moradores.

A investigação foi aprovada para o 5º Congresso Internacional de Engenharia Ambiental Luso-brasileiro, que vai ser realizado em setembro deste ano em Curitiba (PR).

Orientado pela professora Ingrid Alves, o estudo parte de uma lacuna importante: a ausência de monitoramento ambiental contínuo em municípios de pequeno porte. “Em locais onde não há sensores instalados pelo governo, o morador se torna o principal ‘sensor social’. O relato de quem limpa o pó preto da mesa todos os dias é um dado científico legítimo”, explica o estudante.

A pesquisa revela um cenário preocupante. Segundo os dados coletados, 68% dos moradores afirmam perceber a presença de fumaça diariamente, e há relatos de funcionamento contínuo de chaminés industriais. “Depoimentos sobre falta de ar, cheiro forte e dificuldade para dormir devido às emissões noturnas mostram que o impacto vai muito além do que os números sugerem”, destaca.

Além dos efeitos respiratórios, o estudo aponta impactos diretos no ambiente doméstico. “Quando 70% dos moradores encontram ‘pó preto’ em móveis, roupas e até na pele de crianças, estamos falando de uma violação do bem-estar dentro de casa”, afirma Eduardo. Para ele, a questão ultrapassa a dimensão ambiental e atinge a dignidade das famílias.

Um dos pontos centrais da pesquisa é a diferença entre os limites legais de emissão e os parâmetros considerados seguros para a saúde. “A legislação brasileira estabelece padrões administrativos, mas eles são menos rigorosos que as diretrizes da Organização Mundial da Saúde. Em Banabuiú, os níveis de partículas finas chegam a exceder em mais de 200% o que é considerado seguro para o pulmão humano”, explica.

O trabalho também incluiu visita técnica à empresa apontada como fonte das emissões, o que possibilitou diálogo com a gestão, embora com limitações de acesso a dados internos. “Existem iniciativas de mitigação em discussão, mas ainda não foram plenamente implementadas”, relata o estudante.

Desenvolvida com apoio institucional do IFCE, a pesquisa contou ainda com a colaboração de professores e estudantes da rede pública local na etapa de coleta de dados, ampliando o alcance do estudo. Os resultados já foram levados a eventos científicos e devem ganhar projeção internacional nos próximos anos.

“Levar essa realidade para um evento internacional é uma responsabilidade grande. É uma oportunidade de dar visibilidade global a um problema local e contribuir para que medidas concretas sejam adotadas”, afirma Eduardo.

O estudo também dialoga com o poder público. Parte dos dados de saúde foi obtida junto ao setor de Epidemiologia do município, e o pesquisador defende a necessidade de conciliar desenvolvimento econômico com proteção ambiental. “O crescimento não pode ignorar o direito da população a um ambiente seguro”, pontua.

Ao transformar a vivência da comunidade em evidência científica, a pesquisa contribui para o debate sobre políticas públicas e monitoramento ambiental no interior do estado. “Esta pesquisa é a transformação da voz da comunidade de Banabuiú em evidência científica para garantir o direito a um futuro com ar puro e saúde para todos”, resume o estudante.

Para a orientadora do trabalho, professora Ingrid Alves, a pesquisa oferece informações importantes tanto para estudos futuros quanto para a formulação de políticas públicas voltadas para as questões ambientais.

“Os resultados possibilitam ao poder público refletir sobre possíveis e necessárias atualizações na legislação ambiental. Além disso, pode estimular as empresas da região a revisão de suas práticas, incentivando uma postura mais sustentável e responsável. Estudos como esse são importantes para que a sociedade se sinta mais ouvida, permitindo uma maior participação e controle social nas questões ambientais”, acrescentou a professora.

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