O ex-presidente Jair Bolsonaro iniciou nesta terça-feira (25) o cumprimento da pena de 27 anos e 3 meses de prisão, depois que o Supremo Tribunal Federal (STF) declarou o trânsito em julgado da condenação por tentativa de golpe de Estado. A decisão foi formalizada pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, após a Corte rejeitar os últimos recursos apresentados pela defesa, encerrando qualquer possibilidade de novo questionamento judicial.
Bolsonaro já estava detido desde sábado (22), quando teve a prisão preventiva decretada após tentar cortar a tornozeleira eletrônica com um ferro de solda — comportamento interpretado pelo STF como indício de fuga. Agora, com a execução definitiva da pena, o ex-presidente permanece na Superintendência da Polícia Federal em Brasília, ocupando uma sala especial destinada a autoridades, onde deve seguir cumprindo o regime fechado.
A condenação, proferida originalmente em setembro, apontou Bolsonaro como líder de uma articulação que buscava impedir a posse do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva em 2022, por meio de ações internas e externas que configuravam tentativa de subverter o Estado Democrático de Direito. Outros aliados do ex-presidente, incluindo militares de alta patente e ex-ministros, também tiveram recursos rejeitados e deverão começar a cumprir suas penas.
A prisão de um ex-mandatário por conspirar contra as instituições democráticas é considerada um episódio sem precedentes no país e já provoca repercussões no cenário político. Enquanto setores progressistas e entidades da sociedade civil comemoram o que classificam como uma vitória das instituições, aliados de Bolsonaro têm denunciado perseguição e articulam estratégias para reorganizar a direita de olho nas eleições de 2026.
A decisão do STF também consolida a inelegibilidade de Bolsonaro pelos próximos anos, alterando o tabuleiro eleitoral e abrindo espaço para novas lideranças no campo conservador. Analistas avaliam que o impacto político ainda está em construção, mas apontam que o processo redefine a relação entre forças institucionais e grupos alinhados ao ex-presidente, num momento decisivo para o futuro da democracia brasileira.
