A Polícia Civil do Rio de Janeiro deflagrou nesta quinta-feira (7) a Operação Desfortuna, com o objetivo de desmantelar um esquema de promoção ilegal de jogos de azar online — especialmente o popular “Jogo do Tigrinho”. A ação ocorre simultaneamente no Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais, e foca em 15 influenciadores digitais, suspeitos também de lavagem de dinheiro e organização criminosa.
Como funcionava o esquema
Segundo as investigações da Delegacia de Combate às Organizações Criminosas e à Lavagem de Dinheiro (DCOC‑LD), os influenciadores utilizavam suas redes sociais para atrair seguidores por meio de promessas enganosas de lucros fáceis, enquanto ostentavam um estilo de vida incompatível com suas rendas oficiais — com viagens internacionais, carros de luxo e imóveis caros. Relatórios do COAF apontaram movimentações suspeitas que ultrapassam a marca de R$ 4 bilhões.
Além disso, a investigação identificou uma estrutura organizada entre divulgadores, operadores financeiros e empresas de fachada — e até possíveis conexões com o crime organizado. A ação contou com apoio do Gabinete de Recuperação de Ativos (GRA) e do Laboratório de Tecnologia Contra Lavagem de Dinheiro (Lab‑LD).
Quem são os alvos
Alguns dos principais influenciadores sob investigação incluem:
• Bia Miranda
• Gato Preto
• DJ Buarque
• Maumau (Mauricio Martins Junior) — preso em flagrante em SP, após policiais encontrarem uma arma em sua residência
• Paulina de Ataíde, Paola de Ataíde, Tailane Garcia, Jenny Miranda, Lorrany Rafael, Nayala Duarte, Vanessinha Freires, Tailon (Mohammed MDM), Luiza Ferreira, Micael dos Santos
No total, foram cumpridos 31 mandados de busca e apreensão contra esses perfis, que juntos somam quase 35 milhões de seguidores nas redes sociais.
Impacto e desdobramentos
A operação evidencia como a internet pode ser usada para difundir esquemas fraudulentos com grande alcance, sobretudo quando promovidos por apresentadores digitais com grande audiência. Além de investigar os envolvidos, autoridades conseguiram autorização judicial para quebrar sigilos fiscais das fintechs e empresas suspeitas, ampliando o escopo da investigação.
