Região Central: Durante reunião do Comitê da Bacia do Rio Banabuiú realizada nesta quarta-feira (11), foram definidos os parâmetros de liberação de água dos principais açudes isolados da sub-bacia. O encontro ocorreu no distrito de Lagoa do Mato, em Itatira, e contou com a presença de representantes comunitários, técnicos da Cogerh e membros do comitê gestor.
Entre os sistemas discutidos, o açude Pedras Brancas, responsável pelo abastecimento de Quixadá, recebeu a maior previsão de vazão entre todos os reservatórios analisados. O comitê aprovou liberação mínima de 180 litros por segundo e máxima de 350 litros por segundo. Para efeito de comparação, outros açudes da região, como o Patú (em Senador Pompeu) e o Fogareiro (em Quixeramobim), tiveram vazões máximas fixadas em 340 l/s.
A decisão busca atender, principalmente, as necessidades de abastecimento urbano e a manutenção de atividades agropecuárias nas comunidades rurais, que dependem diretamente da água para sobrevivência humana e animal. Com isso, espera-se reduzir a pressão sobre as áreas mais vulneráveis à estiagem.
No entanto, o histórico do Pedras Brancas acende um alerta. Em 2022, o açude chegou a enfrentar a pior seca dos últimos 20 anos, com o nível de armazenamento abaixo de 5%. Na ocasião, o colapso hídrico ameaçou não só o fornecimento para a sede urbana de Quixadá, mas também comprometeu a qualidade da água.
Especialistas alertam que, embora a definição da vazão seja necessária, é essencial que o monitoramento da alocação ocorra de forma contínua e técnica. Sem esse controle, o volume liberado pode comprometer novamente a segurança hídrica da população, principalmente em anos de baixa recarga pluviométrica.
Além das deliberações sobre os reservatórios, a reunião também incluiu a apresentação do projeto Malha D’Água, da Secretaria de Recursos Hídricos, que visa ampliar o acesso à água no semiárido cearense. Outro destaque foi a exposição do pesquisador Arnon Conrado, que abordou os desafios climáticos enfrentados pela produção agrícola em Quixeramobim.
As definições estabelecidas agora servirão como base para a gestão compartilhada dos recursos hídricos ao longo dos próximos meses. O comitê reforçou a importância da participação ativa das comunidades no acompanhamento das metas e no uso consciente da água disponível.
