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Famílias que moravam há mais de 80 anos em fazenda de Ibaretama são despejadas em meio a pandemia

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Agricultora familiar Francisca Xavier, de 72 anos, se emociona por ter de deixar a terra que viveu (foto: divulgação)

Região Central: Oito famílias que moravam há mais de 80 anos na Fazenda Várzea Grande, no município de Ibaretama, foram despejadas sem nenhum ressarcimento, seja pelos anos trabalhados ou pelas benfeitorias realizadas no imóvel. A decisão expedida pelo juiz Adriano Ribeiro Furtado Barbosa, da 2ª Vara Civil da Comarca de Quixadá. Os despejados foram e tinham prazo de 10 dias para saírem de forma pacífica, caso contrário, seria determinada multa diária de R$ 800,00 reais e a utilização de força policial.

A ação surpreendeu os moradores, pois em dezembro de 2021, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu estender até 31 de março de 2022 as regras que suspendem despejos e desocupações de pessoas vulneráveis que já viviam nos espaços antes de 20 de março de 2020.

É lamentável, revoltante e desumano, que no meio de uma pandemia, famílias de agricultores e agricultoras familiares sejam expulsas de uma propriedade que vivem há décadas. Colocadas para fora sem nenhuma compensação financeira que possa possibilitar uma mínima reestruturação em outro local. Cercas no terreno, reformas das casas, cisternas, árvores frutíferas, entre diversas outras benfeitorias realizadas pelas pessoas, além do trabalho empregado, não foram levadas em conta. A agricultora familiar Francisca Xavier (foto), de 72 anos, nasceu e viveu até hoje na fazenda e está sendo expulsa”, relatou a secretária de Política Agrária e Meio Ambiente da Fetraece, Rosângela Moura a Comunicação da Fetraece.

Início de perseguição e intimidações

De acordo com relatos das famílias, após a morte do então proprietário, José Estelita de Aguiar Filho, começaram as perseguições e intimidações para saírem do local, inclusive, realizaram diversas denúncias para a polícia, das ameaças que receberam. Segundo os moradores, até carcaças de animais mortos eram deixados para apodrecer próximo das residências, visando dificultar a moradia.

Por muitas vezes, a Fetraece esteve na área para diálogo com as famílias e prestar assistência, buscando no Judicial, no Estado e nas instituições, solução para o conflito agrário. Sempre repugnando as ações contra as famílias.

“A Fetraece permanecerá junto dessas famílias e prestará, por meio da Secretaria de Política Agrária e Meio Ambiente, o apoio que estiver ao alcance da entidade para que estes trabalhadores e trabalhadoras possam ter a reparação devida e viverem de forma tranquila”, finaliza Rosângela Moura.

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