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O dia em que um avião pousou nas águas do centenário açude Cedro, em Quixadá

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Quixadá: Se hoje o Açude do Cedro, em Quixadá, no Sertão Central, resiste com menos de 1% da capacidade, já houve tempo em que suas águas serviram de pista de pouso. Há 96 anos, um hidroavião da Panair do Brasil desceu sobre o reservatório trazendo do Rio de Janeiro, então capital do país, uma comitiva de técnicos federais.

O pouso ocorreu em 1930. A aeronave, de prefixo Nycra, trazia técnicos da Inspetoria Federal de Obras Contra as Secas, órgão que deu origem ao atual Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs). A missão era desenvolver o reflorestamento e implantar postos agrícolas no semiárido nordestino. Autoridades civis e militares de Quixadá receberam a comitiva às margens do açude, cena registrada em fotografia da época.

O mesmo avião pousou no açude de Forquilha, no Norte do Ceará, em 4 de agosto daquele ano. O episódio está registrado na página 83 do livro “Emancipação Política de Forquilha”, publicado em 2010 por Abelardo Cavalcante de Vasconcelos.

A área do Cedro abrigou depois iniciativas ligadas ao desenvolvimento agropecuário, como um horto florestal e uma escola agrícola, além de experiências com novas espécies vegetais e animais. A informação é do professor de História Tyrone Candido, da Universidade Estadual do Ceará, em entrevista ao Diário do Nordeste.

O açude completou 120 anos nesta segunda-feira (26). Foi entregue em 26 de outubro de 1906, após 16 anos de obras, e é o primeiro grande reservatório público do Brasil. A construção foi ordenada por Dom Pedro II depois da seca de 1877 a 1879, começou em 15 de novembro de 1890 e terminou sob a direção do engenheiro Bernardo Piquet Carneiro.

Com capacidade para 126 milhões de metros cúbicos, o Cedro acumula hoje 0,64% desse volume, segundo a Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh). De acordo com o coordenador estadual do Dnocs, Joacir Moreira de Sousa, o reservatório está praticamente no volume morto. O açude não sangra desde 1989 e deixou de abastecer Quixadá há quase 20 anos, função assumida pelo Açude Pedras Brancas. Tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional em 1977, integra desde abril de 2015 a lista indicativa brasileira do Patrimônio Mundial.

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