A Polícia Civil do Ceará deflagrou, nesta quinta-feira (21), uma operação interestadual contra um grupo suspeito de promover plataformas de apostas ilegais por meio de influenciadores digitais. Batizada de “Operação Jogo Sujo”, a ação ocorreu simultaneamente em seis estados brasileiros e contou ainda com apoio de órgãos de segurança dos Estados Unidos.
As diligências foram realizadas no Ceará, Santa Catarina, São Paulo, Minas Gerais, Bahia e Mato Grosso. Ao todo, a Justiça expediu mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão contra investigados apontados como integrantes de um esquema que utilizava redes sociais para atrair usuários para plataformas conhecidas popularmente como “jogo do tigrinho”.
Segundo a investigação, influenciadores da cidade de Canindé, no interior cearense, teriam usado seus perfis para divulgar links de apostas e estimular seguidores a jogarem em contas manipuladas para aparentar ganhos fáceis. A Polícia Civil estima que cerca de dez influenciadores do município estejam envolvidos no esquema.
De acordo com o delegado Cleidson Fernandes, responsável pelas investigações em Canindé, o caso começou a ser apurado após denúncias recebidas pela delegacia local ainda no ano passado. A partir daí, o Núcleo de Inteligência identificou não apenas os responsáveis pelas divulgações, mas também pessoas ligadas à movimentação financeira e aos administradores das chamadas “bancas” de apostas em outros estados.
As investigações apontam que os influenciadores utilizavam contas de demonstração para simular vitórias e incentivar seguidores a apostar dinheiro real. Conforme a polícia, diversas vítimas sofreram prejuízos financeiros elevados em razão do vício nas plataformas.
Durante a operação, os agentes apreenderam mais de 20 veículos de luxo, além de uma lancha avaliada em aproximadamente R$ 2,4 milhões, localizada em Florianópolis e atribuída a um dos investigados. A Justiça também determinou o bloqueio de cerca de R$ 85 milhões em ativos financeiros.
Até o momento, seis suspeitos foram presos e outros seguem sendo procurados. Entre os detidos está um homem apontado como um dos principais operadores financeiros do grupo. Conforme o delegado Eduardo Menezes, ele foi interceptado após tentar deixar o país com destino aos Estados Unidos.
Segundo a polícia, o investigado embarcou em Guarulhos antes da emissão do mandado de prisão, mas uma articulação entre autoridades brasileiras e órgãos americanos permitiu a revogação do visto dele e da esposa. O suspeito acabou preso ao retornar ao Brasil.
A Polícia Civil informou ainda que um investigado de origem chinesa, já alvo de outras operações policiais, permanece foragido. A corporação acredita que o esquema possuía ramificações interestaduais e até conexões internacionais.
