A Polícia Civil do Ceará prendeu, na manhã desta segunda-feira (2), um advogado suspeito de integrar um esquema de fraude envolvendo empréstimos consignados em benefício de clientes do Benefício de Prestação Continuada (BPC), pago a idosos e pessoas com deficiência pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A ação faz parte de uma investigação mais ampla sobre golpes aplicados mediante uso indevido de documentos e dados pessoais de terceiros.
Segundo informações das autoridades, o suspeito foi detido após mandado expedido pela Justiça com base em indícios de que ele teria utilizado procurações e informações cadastrais de beneficiários para solicitar empréstimos em nome de pessoas que não tinham conhecimento dos pedidos ou não autorizaram as operações. A Polícia Civil realizou a prisão em flagrante em Maracanaú, na Região Metropolitana de Fortaleza, e apreendeu documentos que serão analisados na apuração do caso.
A investigação segue sob sigilo, mas a polícia informou que o volume de operações suspeitas e as irregularidades nos pedidos de crédito chamaram a atenção dos agentes ao cruzarem dados bancários com registros de beneficiários do BPC. As autoridades também apuram se houve participação de outras pessoas no suposto esquema, incluindo funcionários de instituições financeiras ou intermediários que facilitavam o acesso às informações usadas nas fraudes.
O BPC é um benefício assistencial previsto na Lei Orgânica da Assistência Social (Loas) que garante o pagamento mensal de um salário-mínimo a pessoas com deficiência ou idosos com renda per capita familiar inferior a um quarto do salário-mínimo. Devido à sua natureza assistencial, pedidos de empréstimos associados a esse benefício têm regras específicas e restrições, justamente para evitar fraudes e prejuízos aos beneficiários vulneráveis.
Autoridades orientam beneficiários do BPC a monitorarem regularmente seus extratos bancários e a comunicarem imediatamente a polícia ou o INSS caso identifiquem movimentações suspeitas ou pedidos de crédito não solicitados. Especialistas jurídicos também alertam para o aumento de casos envolvendo “golpes do falso advogado”, em que fraudadores se passam por profissionais jurídicos ou representantes legais para induzir a confiança das vítimas antes de aplicar golpes semelhantes.
O advogado preso deverá responder por crimes de estelionato, uso de documento falso e associação criminosa, entre outras possíveis acusações que podem surgir à medida que as apurações avançam. A previsão é de que novas diligências aconteçam nos próximos dias para identificar a extensão do suposto esquema e possíveis outros implicados.
