Quixadá: Os galpões históricos do açude Cedro, neste Município, devem ser restaurados pela Universidade Federal do Ceará (UFC). A instituição recebeu, entre o fim do primeiro semestre e setembro deste ano, pareceres favoráveis do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs) e do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) para assumir e recuperar os imóveis.
Os detalhes foram divulgados em reportagem nesta terça-feira (13) do jornal O Povo. A cessão oficial dos galpões ainda não tem data e depende de trâmites jurídicos e burocráticos. Gestores envolvidos esperam que o repasse ocorra entre outubro e dezembro. O coordenador estadual do Dnocs, Joacir Moreira, informou em entrevista ao jornal, que a Advocacia-Geral da União já autorizou a cessão.
O anteprojeto, elaborado pelos arquitetos e professores Romeu Duarte e Mário Fundarò, prevê 2.500 m² de área construída, com 1.970 m² de área utilizável. O espaço, com nome provisório de Centro de Cultura e Empreendedorismo (Cecem) do Campus Quixadá, terá auditório com cerca de 150 lugares, salas para incubação de startups e empresas juniores, laboratórios de produção digital e de mídias imersivas, biblioteca setorial, café e mirante para a Pedra da Galinha Choca. O local também deve abrigar a sede da gestão do futuro Geoparque Sertão Monumental. Uma passarela coberta de concreto vai ligar os galpões às residências.

De acordo com a diretora do Campus Quixadá, professora Andréia Libório, a proposta é usar tecnologia desenvolvida por alunos e professores da UFC em ambientes imersivos, conforme detalhou ao O Povo. Entre os exemplos citados por ela estão a exibição de “O Quinze”, de Rachel de Queiroz, a formação dos monólitos de Quixadá e a simulação da construção da barragem.
O Cedro foi a primeira grande obra de engenharia hídrica do país, iniciada no Império e concluída 24 anos depois, já na República. O açude completa 120 anos neste mês e é tombado pelo Iphan desde 1984. Os galpões serviam de armazéns e oficinas, e neles os operários cortavam o granito usado nos diques. Hoje, parte dos telhados desabou. A UFC, que tem campus no entorno do açude há 19 anos, apresentou os primeiros pedidos de cessão em 2014.
Confirmada a cessão, a UFC deve abrir licitação, por meio da Superintendência de Infraestrutura da universidade, para contratar uma empresa que fará o projeto executivo. O Iphan exige que esse projeto inclua levantamento cadastral, pesquisa histórica e diagnóstico de conservação. Ainda não há valor definido para o investimento.
