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Soldado quixadaense diz que sacou arma porque queria socorrer o pai

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(Foto: Fábio Lima/ O Povo)

O soldado reformado que sacou uma arma na BR-116, em Itaitinga (CE), e teria disparado contra uma manifestação de parentes de presidiários afirmou que o fez porque estaria socorrendo o pai. O POVO apurou que o PM Edivardo Enoque da Silva, 50, teria dito na Delegacia de Horizonte que perdeu o controle quando se viu preso no engarrafamento e impedido de chegar a um hospital para supostamente tratar de uma “úlcera estourada” do idoso.

Irritado com a interrupção da rodovia, fechada por pneus e outros objetos incendiados, Edivardo Enoque foi flagrado de arma em punho – supostamente um revólver 38, cano curto – na altura da Unidade Prisional Professor José Sobreira de Amorim.

O PM reformado trafegava num Siena, PMJ – 1887, de Quixadá, com uma mulher e um idoso. Depois de sair do carro, Edivardo ameaçou as mulheres que protestavam contra a superlotação e restrições do presídio. De acordo com testemunhas, o policial teria efetuado pelo menos um disparo. Logo após, foi abordado por soldados da Força Tática de Apoio.

Como revela a sequência de fotos feitas pelo O POVO, Edivardo Enoque apresentou uma documentação a um policial. Em seguida, o PM reformado foi conduzido na viatura sem algemas, no banco de trás, para a Delegacia Metropolitana de Horizonte, onde foi ouvido e liberado em seguida.

Na BR-116, apesar da arma em punho e do suposto disparo em via pública,

Edivardo Enoque não foi submetido a uma busca de arma nem encaminhado para exames de parafina na Perícia Forense do Ceará. O veículo também não foi enviado para ser periciado.

Na tarde da última terça-feira, o nome do policial reformado não havia sido revelado em duas notas oficiais enviadas a O POVO pela Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS). Edivardo Enoque, de acordo com o documento, não teria sido preso em flagrante segundo entendimento dos PMs que o abordaram logo após o acontecido.

“A SSPDS esclarece que tem como procedimento padrão apenas a divulgação dos nomes de adultos presos em flagrante ou com mandado de prisão em aberto”, descreve a nota.

De acordo com a SSPDS, os “policiais militares afirmaram, em depoimento, não ter ouvido disparos de arma de fogo. Após busca pessoal e no veículo do suspeito, a suposta arma não foi localizada, bem como as testemunhas não compareceram à delegacia para prestar depoimento”.

A versão dos PMs contraria o que disseram as testemunhas do local e as imagens feitas pelo jornal. Na delegacia, Edivardo teria afirmado que estava com uma arma de “brinquedo”. Mas o armamento não foi apresentado aos soldados que fizeram a prisão nem ao delegado. A primeira nota da SSPDS trazia a informação de que o “brinquedo” teria sido destruído. “Atirado em direção ao fogo, causado por pneus queimados no protesto”.

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