Região Central: Quixadá, Choró, Madalena, Boa Viagem, Canindé, Caridade e Paramoti estão entre os 37 municípios cearenses no nível de prioridade máxima do Índice de Prevenção da Violência dos Municípios (IPV). O Governo do Ceará apresentou o índice esta semana. Ele vai definir onde o Estado deve concentrar as ações de prevenção pelos próximos dez anos.
A classificação define o tipo de apoio que cada cidade recebe. Segundo a nota técnica do Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece), os municípios no nível de prioridade máxima, chamados de “muito críticos”, devem receber intervenções intensivas, projetos estruturantes e acompanhamento técnico permanente do Estado. Os do segundo nível terão projetos pontuais e capacitação das equipes locais, e os do terceiro, ações gerais de prevenção e monitoramento. Esse modelo vem do Programa Integrado de Prevenção e Redução da Violência (PReVio). O programa já leva às cidades projetos voltados a jovens, mães adolescentes e mulheres, como Virando Jogo, Jovens Mães, Empodera e Jovens Mediadores.
Quixadá foi escolhido para ser cidade-polo do Sertão Central na proposta do Governo e ficou na 34ª posição entre os 184 municípios do Estado no índice do IPV. Só cinco dos 14 polos regionais do Ceará chegaram ao nível mais alto, e Quixadá é um deles.
O resultado de Quixadá vem principalmente de duas áreas. O município ficou acima da média estadual em violência e na falta de equipamentos e serviços de proteção, como Centros de Referência de Assistência Social (Cras), conselhos tutelares e efetivo policial. Em economia e infraestrutura urbana, a situação da cidade é melhor que a média do Ceará.
Na região, Madalena tem o segundo maior índice do Estado, atrás só de Fortaleza. Boa Viagem aparece em quinto lugar e Choró em 11º. Choró também está entre os dez piores do Ceará em infraestrutura urbana. Pela regionalização do Governo, apenas Quixadá e Choró integram a região de planejamento do Sertão Central. Madalena, Boa Viagem, Canindé, Caridade e Paramoti ficam no Sertão de Canindé, região com a maior média do índice no Estado.
Mombaça, Ibaretama, Itatira, Banabuiú e Quixeramobim ficaram no nível intermediário de prioridade. Ibicuitinga, Senador Pompeu, Piquet Carneiro, Pedra Branca, Solonópole, Milhã e Deputado Irapuan Pinheiro estão no terceiro nível, o de menor prioridade.
O Ipece elaborou o índice com dados de 2025. O cálculo reúne indicadores de violência, vulnerabilidade de jovens, economia, infraestrutura urbana e rede de proteção, e violência e juventude têm o maior peso. “Avaliamos indicadores de crimes, precariedade de serviços urbanos e vulnerabilidade da juventude para que o Estado possa identificar onde a necessidade é mais crítica e monitorar os resultados ao longo do tempo”, afirmou o analista do Ipece Cleyber Nascimento, segundo O Povo.
O analista Victor Hugo de Oliveira, também do Ipece, afirmou que o índice é um ponto de partida para o diagnóstico dos territórios. Ele defendeu somar ao índice dados de campo e o conhecimento das equipes locais. “A futura Pesquisa Domiciliar de Vulnerabilidades e Prevenção da Violência poderá suprir lacunas das bases administrativas”, disse Victor Hugo.
O diagnóstico vai servir de base para a Agenda Estratégica de Prevenção à Violência, prevista para 2027 a 2036 nos 184 municípios. O índice será recalculado ao longo desse período com os mesmos critérios. Assim, uma cidade que melhorar seus indicadores pode passar para um nível de menor prioridade. A Nota Técnica nº 91, com a lista completa dos municípios, está disponível no site do Ipece.
