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Quixadá: Açude do Cedro registra volume de água pela primeira vez no ano

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Chuvas de março e abril levaram um pouco de água ao leito do açude do Cedro, mas o quadro de escassez permanece. Foto: divulgação

Região Central: O histórico açude do Cedro, localizado em Quixadá voltou a registrar água. Seco desde novembro de 2021, o reservatório atingiu 0,3% de seu volume total no dia 12 de abril, subindo para 0,45% no dia seguinte, de acordo com informações do Portal Hidrológico, plataforma gerida pela Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh). Nesta terça-feira, 19, o reservatório continua com os mesmos 0,45%.

Em abril, mês que o açude voltou a acumular água, Quixadá registrou um total de 176 milímetros de chuvas. Os números de março e fevereiro são ainda mais baixo, com 166,5 mm e 94 mm, respectivamente, o que nem sequer permitiu que o primeiro açude do Brasil saísse do zero.

No total, o reservatório, composto por quatro barramentos, acumula aproximadamente 554 mil metros³, dentro de um capacidade total de 126 milhões de m³ de água. A última vez que o açude registrou volume superior a 1% foi em outubro de 2020, ano em que o Ceará teve uma quadra chuvosa quase 20% acima da normalidade, conforme dados da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme). Já a última vez em que o Cedro passou dos 30% de água foi em outubro de 2010.

Apesar de uma gradativa diminuição da relevância hídrica, o Cedro representa a região hidrográfica mais crítica do Ceará, o Banabuiú. O açude que dá nome à área, o terceiro maior do Estado, está em apenas 8,31%, segundo o monitor da Cogerh, tendo recebido pouca água durante esta quadra chuvosa. A região acumula, nesta terça, 7,78% da capacidade total de 2,687 bilhões de m³. Em comparação, outras grandes bacias como o Médio Jaguaribe e Acaraú têm 17,87% e 79,47%, respectivamente, também segundo o Portal Hidrológico, com dados colhidos às 15h07min.

Açudes com maiores volumes de água no Sertão Central e Inhamuns – Curral Velho, em Morada Nova: 83,01%;
– São José II, em Piquet Carneiro: 49,46%;
– Jatobá, em Milhã: 42,36;
– São José, em Boa Viagem, 42,15;
– Poço do Barro, em Morada Nova: 31,53%;
– Patu, em Senador Pompeu, 17,78%;
– Capitão Mor, em Pedra Branca: 17,53%
– Banabuiú, em Banabuiú: 8,31

Importância história do açude Cedro
Com 115 anos de história, o açude Cedro passa por um dos momentos mais críticos. A falta de chuvas e a própria ação do tempo têm deteriorado o que já foi a principal obra de combate à seca no Brasil. De acordo com a Cogerh, a perda da relevância hídrica do reservatório tem relação com a falta de eficácia dos estudos da época da construção, quando não havia tecnologia capaz de observar a região e sua hidrografia. O local já não abastece a cidade de Quixadá há mais de 10 anos. As águas que chegam ao município são transportadas do açude Pedras Brancas, localizado a 37 km da sede municipal, e atualmente com 3,9% da capacidade. Apesar de ter perdido relevância hídrica, o Cedro ainda recebe atenção pela sua importância histórica. O projeto do Açude foi iniciado ainda durante o Brasil Império, por dom Pedro II, sendo a primeira grande obra do País, focada no combate à seca. As obras tiveram início em 1890 e foram concluídas em 1906, já na Primeira República. Segundo a Prefeitura de Quixadá, em 2019, o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs), responsável pela administração do açude, deu início a um projeto de revitalização do local. No entanto, o município diz que nunca teve acesso ao projeto e não sabe se ele foi finalizado. Em outubro daquele ano, a principal dificuldade apresentada para o andamento da obra seria a liberação de verbas por parte do Ministério da Economia. Ângelo Guerra, então diretor-geral do Dnocs, afirmou na época que o edital para contratação do projeto de recuperação e revitalização do patrimônio histórico estava orçado em R$ 1,4 milhão.

Situação Hídrica do Estado
De acordo com os dados da Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh), por meio do portal hidrológico, nessa terça-feira, 19, 59 dos 155 reservatórios monitorados estão com volume inferior a 30%.

Ao todo, 27 estão sangrando (100% da capacidade): Acaraú-Mirim, Jenipapo, São Vicente, Sobral, Caldeirões, Muquém, Valério, Angicos, Itauna, Tucunduba, Várzea da Volta, Itapajé, Gameleira, Mundaú, Quandu, Acarape do Meio, Amanary, Batente, Cahuipe, Gavião, Germinal, Itapebussu, Tijuquinha, Junco, Rosário, Ubaldinho e Barragem do Batalhão. Outros 10 têm mais de 90% do total: Ayres de Sousa, Do Coronel, Pau Preto, Diamantino II, Gangorra, Frios, Poço Verde, Aracoiaba, Maranguapinho e Olho d’Água.

Além do açude Cedro, outros 16 reservatórios estão com volume morto, com capacidade abaixo de 5% do total: Forquilha II, Várzea do Boi, Monsenhor Tabosa, Pedras Brancas, Pirabibu, Quixeramobim, Serafim Dias, Trapiá II, Umari, Jerimum, Salão, Sousa, Riacho da Serra, Madeiro, Pompeu Sobrinho e Barra Velha.

Em relação às 155 unidades monitoradas, o Ceará apresenta 33,2% de volume da capacidade total do sistema hídrico. Os dados são do Portal Hidrológico. (Colaborou Leonardo Maia)

Com informações do Opovo

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