Um militar da Polícia Militar do Ceará (PMCE) foi preso na quinta-feira (4) — sob suspeita de feminicídio — depois de um tiroteio que resultou na morte da companheira, também integrante da corporação. A vítima, identificada como Larissa Gomes da Silva, de 26 anos, morreu na quarta (3), após ser atingida por disparos no abdômen e no tórax. O companheiro, Joaquim Filho, também foi baleado na perna e socorrido com vida.
Tiroteio dentro do carro
Segundo a PMCE, o casal discutiu dentro de um veículo quando ambos sacaram as armas funcionais e passaram a atirar — segundo a versão do próprio homem, ele e Larissa trocaram disparos.
Larissa chegou a ser levada para uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) em Eusébio, na Região Metropolitana de Fortaleza, mas não resistiu aos ferimentos. Já o companheiro foi internado com quadro estável e permanece sob escolta policial.
Histórico de violência no relacionamento
Familiares e amigos relataram que o relacionamento era marcado por agressões. A mãe da vítima informou que o suspeito já teria disparado armas perto da companheira, quebrado móveis com facas, cometido agressões físicas — inclusive com coronhadas — e praticado violência psicológica, isolando Larissa de amigos e dos filhos dela de um relacionamento anterior.
Ela também teria denunciado medos e sofrido ameaças quando tentou denunciar o companheiro. Testemunhas afirmam que, em pelo menos uma ocasião, ele teria disparado dentro do apartamento dela por ciúmes.
Prisão e autuação
Na quinta-feira, Joaquim foi apresentado à Coordenadoria de Polícia Judiciária Militar e Disciplina (CPJM) e autuado pelos crimes de feminicídio e crime militar — uma vez que ambos os envolvidos eram policiais da ativa. Em seguida, ele foi transferido para o Presídio Militar, onde permanece à disposição da Justiça.
Repercussão: alerta sobre a violência doméstica institucional
O caso reacende o debate sobre violência doméstica dentro das corporações policiais — um cenário no qual o risco muitas vezes se torna invisível pela proximidade ao poder e ao uso de arma funcional. Para colegas e familiares de Larissa, o crime não foi um incidente isolado, mas o desfecho de um padrão de controle, agressões e ameaças recorrentes.
“Foram quatro anos de muito sofrimento que a minha filha passou na mão dele”, afirmou a mãe da vítima, descrevendo o histórico de agressões e intimidações.
