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PF aponta deputada cearense como articuladora em esquema bilionário de fraudes no INSS

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Deputada Gorete Pereira (MDB-CE) suplente em exercício na Câmara dos Deputados em discurso em 2019 — Foto: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados

A deputada federal Maria Gorete Pereira (MDB-CE) foi alvo de uma operação da Polícia Federal nesta terça-feira (17), que investiga um esquema de descontos ilegais em aposentadorias e pensões do INSS. Segundo as apurações, a parlamentar é apontada como “articuladora política” do grupo, atuando junto a órgãos públicos para viabilizar a fraude. A investigação, conduzida em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU), estima que os desvios possam chegar a R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024. Por decisão do ministro André Mendonça, a deputada foi submetida a medidas cautelares, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica.

De acordo com a Polícia Federal, o esquema envolvia o pagamento sistemático de propina a servidores do INSS para permitir descontos indevidos nos benefícios de aposentados e pensionistas. As investigações indicam que recursos eram repassados por empresas ligadas ao empresário Natjo de Lima Pinheiro à advogada Cecília Rodrigues Mota, responsável por intermediar pagamentos ilícitos. Em troca, servidores públicos facilitariam a liberação e manutenção dos descontos. Planilhas apreendidas pela PF mencionam o nome da deputada ao lado de valores que ultrapassam R$ 780 mil, supostamente relacionados ao pagamento de propinas.

As investigações também apontam conexões com outros nomes ligados à estrutura do INSS, como Alessandro Stefanutto, que teria recebido cerca de R$ 4 milhões entre 2024 e 2025, conforme análise de extratos bancários. Conversas interceptadas indicam ainda possíveis repasses a ex-dirigentes do órgão, responsáveis por autorizar acordos e liberar benefícios. Segundo a PF, a deputada utilizava sua influência política para pressionar servidores e acelerar processos de interesse do grupo, além de manter contato direto com autoridades administrativas.

Os investigadores afirmam que o esquema incluía o uso de empresas de fachada registradas em nome de terceiros, inclusive familiares da parlamentar, para movimentar recursos ilícitos oriundos dos descontos indevidos. Há indícios de que valores desviados tenham sido utilizados na aquisição de bens de alto valor, como um apartamento avaliado em mais de R$ 4 milhões. Para a PF, há elementos consistentes que indicam a participação da deputada nos crimes investigados.

Durante a operação, foram presos preventivamente o empresário Natjo de Lima Pinheiro e a advogada Cecília Rodrigues Mota. A defesa de Natjo afirmou que considera a prisão desnecessária e desproporcional e informou que adotará medidas judiciais para reverter a decisão. As defesas dos demais investigados não se manifestaram até a última atualização do caso.

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