Região Central: O Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE) instaurou procedimento para apurar possíveis irregularidades na Seleção Pública relâmpago promovida pela Secretaria Municipal de Educação de Choró. A promotora de Justiça Lia Coelho de Albuquerque recomendou a suspensão imediata do certame pelo prazo de 20 dias — ou até que as ilegalidades apontadas sejam sanadas.
De acordo com a recomendação encaminhada à Prefeitura, o edital da seleção prevê apenas a análise curricular como etapa única, sem aplicação de provas ou avaliação de títulos. Para o MP, o modelo adotado afronta os princípios constitucionais da legalidade, moralidade e impessoalidade, além de abrir margem para critérios subjetivos na escolha dos candidatos.
Outro ponto criticado pelo órgão ministerial é o cronograma do processo seletivo. As inscrições ocorreram entre os dias 12 e 14 de janeiro de 2026, com divulgação do resultado preliminar no dia 15 e do resultado final no dia 16 do mesmo mês. Segundo a promotora, o calendário é incompatível com qualquer seleção que se pretenda transparente e isonômica, pois inviabiliza, inclusive, o exercício do direito de recurso pelos candidatos.
Na recomendação, o Ministério Público alerta que o descumprimento da medida, sem a apresentação de justificativas formais, poderá resultar no ajuizamento de ações por improbidade administrativa contra os responsáveis.
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O site oficial da Prefeitura de Choró informa apenas a prorrogação da seleção com um novo calendário, mas não há registro de ato formal anulando o resultado preliminar já divulgado, o que reforça as suspeitas de ilegalidade.
O procedimento também chama atenção para o contexto político em que a seleção foi realizada. Em período de pré-campanha eleitoral, a realização de um processo seletivo sem transparência é vista por críticos como possível mecanismo de favorecimento político.
A Secretaria Municipal de Educação de Choró já esteve no centro de outras controvérsias, incluindo denúncias envolvendo o transporte escolar. Agora, a pasta volta a ser alvo de questionamentos, desta vez por conduzir uma seleção pública considerada, pelo Ministério Público, carente de critérios objetivos e de transparência.
Até o momento, a Prefeitura de Choró não se manifestou oficialmente sobre o teor da recomendação do Ministério Público.
