Jogar as apostas online deixou de ser uma diversão e se tornou um grave problema psicológico e de saúde. Induzida pela falsa propaganda de ganhos fáceis, divulgada sem nenhuma responsabilidade pelos chamados influenciadores digitais, as apostas online estão falindo pessoas e levando muitas a desenvolverem um vício em apostar desenfreadamente, até perder tudo.
Subestimado ou tratado como uma simples falta de controle, o vício em jogos de azar é uma doença: o nome é Ludopatia e a patologia de ordem psicológica é reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A condição é caracterizada pelo desejo incontrolável de jogar ou apostar, mesmo diante de prejuízos financeiros e emocionais.
No Brasil, a ludopatia é classificada pela Classificação Internacional de Doenças (CID) sob os códigos F63.0 (jogo patológico) e Z72.6 (mania de jogo e apostas). Ela é considerada um transtorno do controle de impulsos, semelhante à dependência química, com intensidade que pode variar entre leve, moderada e grave. A compulsão ocorre não pelo consumo de uma substância, mas pelo efeito químico que o jogo provoca no sistema de recompensa do cérebro, gerando um desejo incontrolável de apostar.
Dados do Senado Federal apontam que a ludopatia é hoje o terceiro vício mais frequente no Brasil, atrás apenas do álcool e do tabagismo. A estimativa é de que pelo menos 2,78 milhões de brasileiros convivam com o transtorno.
Sintomas e sinais de alerta
Especialistas alertam que qualquer pessoa, em qualquer idade, pode desenvolver o vício em jogos. Os sinais geralmente surgem de forma gradual, e muitas vezes são percebidos tarde demais. Veja abaixo alguns indícios de que o jogo pode ter se tornado um problema:
. Preocupação constante com apostas e estratégias para conseguir dinheiro;
. Aumento progressivo das quantias apostadas;
. Tentativas frustradas de parar ou reduzir o jogo;
. Irritação ou ansiedade quando não se pode jogar;
. Jogar para escapar de sentimentos como tristeza, culpa ou estresse;
. Mentiras para esconder o hábito de jogar;
. Perda de relacionamentos, trabalho ou estabilidade financeira;
. Tentativas de recuperar perdas com novas apostas;
. Solicitação de empréstimos ou ajuda financeira.
Ainda não há um protocolo único para o tratamento da ludopatia. O mais recomendado é o acompanhamento psicológico e psiquiátrico, com uso de medicamentos inibidores de recaptação da serotonina em alguns casos.
Entre as abordagens terapêuticas que vêm mostrando bons resultados está a Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT). A metodologia busca ajudar o paciente a reconhecer o ciclo da compulsão e construir uma relação mais consciente com suas escolhas, inclusive assumindo compromissos que levem à redução dos danos causados pelo jogo.
