Vinte e dois funcionários da fábrica de confecções Gout Jeans, em Fortaleza, demitidos após o segundo turno das eleições, terão de ser reintegrados em até 48 horas. A determinação é da juíza substituta Manuela de Albuquerque Viana, da 7ª Vara do Trabalho de Fortaleza. Segundo denúncia do Ministério Público do Trabalho (MPT), as demissões tiveram motivação política.
Se descumprir o prazo, a empresa pagará multa diária de R$ 5 mil por trabalhador não reintegrado. A decisão também obriga a fábrica a enviar, no mesmo prazo, um esclarecimento e uma retratação individual a todos os empregados. A retratação deve ser publicada nos perfis oficiais da empresa nas redes sociais, por 15 dias consecutivos no feed e por sete dias nos stories.
De acordo com o MPT, o dirigente da empresa reuniu os trabalhadores na manhã da última segunda-feira (26), primeiro dia após a votação, e anunciou a dispensa de pelo menos 22 deles. A denúncia inclui áudios e fotografias feitos no local de trabalho. Na decisão, a juíza afirma que a demissão provoca “abalo psíquico individual e coletivo” e aponta relação direta entre os desligamentos e a orientação eleitoral dos funcionários.
O dono da empresa, Gutemberg Bittencourt, afirmou ao UOL que a denúncia é falsa e que não é o autor dos áudios. Ele disse que vai apresentar à juíza os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados para provar que nenhum funcionário foi demitido. “É tudo fake news, e vão pagar caro por isso”, declarou. O empresário, que se define como de direita, disse que respeita os funcionários petistas e que pretende processar o autor da denúncia por calúnia.
A juíza também pediu a relação completa dos trabalhadores dispensados desde 26 de outubro, com os termos de rescisão, e o registro de empregados dos meses de setembro e outubro de 2026. Até o julgamento, a empresa está proibida de praticar assédio moral eleitoral, perseguição, coação ou ameaça contra os funcionários. A audiência inicial do processo está marcada para 13 de novembro.
