Quixadá: Este município do Sertão Central tem se tornado, cada vez mais, um espaço de pluralidade de religiões reconhecidas pela gestão política. Prova disso é que no final do ano passado, entre a leva dos últimos decretos sancionados em dezembro, o prefeito Ricardo Silveira promulgou a lei que cria o Dia do Maçom em Quixadá.
O documento consta na sessão de transparência do site da prefeitura, e foi assinado pelo prefeito no último dia 2 de dezembro de 2025. Apenas oito leis, entre complementares e leis municipais, foram assinadas no mês passado por Ricardo Silveira, entre elas está a que cria o dia do Maçom.
Com a medida, a partir de agora, todos os dias 3 de dezembro de cada ano, a maçonaria terá o seu dia comemorativo no calendário de leis municipais. O autor da proposta foi o vereador Renê Matias que levou a ideia para a discussão na Câmara de Vereadores no início de novembro do ano passado, tendo sido aprovada pelo parlamento e em seguida sancionada pelo prefeito.
“É uma sociedade que visa o respeito, a igualdade e a fraternidade, tendo vários trabalhos sociais 100% bancados pelos irmãos da maçonaria”, fundamenta Mathias. “A partir daí surgiu a ideia de criar o dia do maçom, tendo em vista ser composta somente por cidadãos. Se você chegar na maçonaria, você não vai encontrar uma pessoa que não seja de uma conduta diferenciada”, complementa.
A criação do dia do Maçom fortalece o ecumenismo de religiões em Quixadá. A cidade já possui em seu calendário eventos relevantes relacionadas a crenças e movimentos religiosos, como o Dia do Evangélico, comemorado a cada dia 31 de outubro e sancionado pelo então prefeito Dr. Mesquita no ano 2000. Outro exemplo é a lei que instituiu a Marcha para Jesus, evento liderado por evangélicos sempre no mês de setembro e sancionado pelo então prefeito João da Sapataria em 2014.
Com origem na Idade Média a maçonaria se firmou como uma sociedade filantrópica e filosófica em 1717 na Inglaterra. Por muito tempo foi reconhecida como uma sociedade secreta tendo em vista o caráter discreto dos seus membros. Para os maçons, Deus é o grande arquiteto do universo, esse viés arquitetônico da divindade sagrada se traduz na criação de símbolos que fundamentam a sociedade. Estes símbolos lhe fizeram ser alvo de centenas de teorias da conspiração ao longo dos anos.
Foi com vistas a essas questões que Renê Matias teve a ideia de criar o dia do Maçom. “Quis tirar aquela mistificação de que maçonaria era algo relacionado ao mal, que vem de quem não tem conhecimento. A partir daí surgiu a ideia de criar o dia do maçom”, afirma o vereador. Calcula-se que, atualmente, existam cerca de 3,6 maçons pelo mundo. Em Quixadá, segundo Renê Matias há 61 maçons.
Conforme o último levantamento do IBGE a religião prioritária no município é a católica. 71,6% quixadaenses frequentam a missa e se declaram católicos. Outros 21,85% se dizem evangélicos. Os espíritas respondem por 0,54% da população. 0,38% são do candomblé e umbanda e outros 1% pertencem a outras religiões.
