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Como tecnologia, dados e IA estão redefinindo a advocacia empresarial no Brasil, segundo Pedro Galinari

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Tecnologia e análise de dados começam a transformar a atuação jurídica das empresas em meio à complexidade econômica do país.

A advocacia empresarial no Brasil passa por uma transformação estrutural. Pressionadas por juros elevados, consumo instável e aumento da inadimplência, empresas têm buscado suporte jurídico que vá além da análise tradicional de contratos ou da atuação processual. A nova demanda exige integração de dados financeiros, leitura de indicadores econômicos, capacidade analítica e uso estratégico de tecnologia, algo que, até poucos anos atrás, era raro no setor.

O movimento coincide com um período delicado da economia. A Serasa Experian registrou, em agosto, 8,1 milhões de CNPJs negativados, o maior volume já observado. No mesmo período, quase 79 milhões de brasileiros estavam inadimplentes, o que reduziu o consumo e impactou diretamente o caixa das empresas. Paralelamente, a Selic saiu de 2% em 2020 para 15% em 2025, encarecendo operações de crédito e renegociações bancárias.

Com a pressão econômica crescente, empresários passaram a buscar soluções mais rápidas, técnicas e previsíveis. Escritórios que mantêm modelos tradicionais, baseados apenas em processos judiciais e pouca integração com dados, têm dificuldade para atender negócios que dependem de diagnósticos precisos. Em resposta a essa demanda, uma nova geração de operações jurídicas estruturadas como empresas de serviços escaláveis, apoiadas em tecnologia e análise de dados, ganhou espaço.

Entre elas está o Galinari Advocacia Empresarial e de Negócios, liderado pelo advogado Pedro Galinari. O escritório cresceu rapidamente ao adotar um modelo que combina jurídico, finanças e gestão em um único diagnóstico, utilizando ferramentas que vão desde análises de séries históricas do Banco Central até inteligência artificial proprietária para triagem de atendimentos. Para Galinari, essa mudança é reflexo de uma lacuna antiga no mercado. “O empresário toma decisões financeiras todos os dias, mas quase nunca recebe orientação que una visão jurídica e leitura de números. Ele negocia sem informação completa, e isso aumenta o risco”, afirma.

A tecnologia ocupa papel central nessa nova fase da advocacia empresarial. Em operações como renegociação de dívidas e revisão de contratos bancários, a análise de dados reduz erros e aumenta a capacidade de prever cenários. Em vez de avaliar documentos de forma isolada, escritórios modernos cruzam informações de séries temporais, taxas médias de mercado, índices de risco e projeções de fluxo de caixa. Isso permite identificar cláusulas incompatíveis, encargos acima do padrão e distorções que, no acúmulo, comprometem a viabilidade de uma empresa.

No escritório comandado por Galinari, ferramentas internas auxiliam na organização de documentos, separação de informações e elaboração de diagnósticos preliminares. A inteligência artificial desenvolvida para a operação atua na primeira etapa do atendimento: filtra dados, interpreta padrões e organiza materiais antes que o advogado assuma o caso. Essa automação reduz o tempo de resposta e direciona a equipe para a análise estratégica, e não para tarefas mecânicas. “A tecnologia não substitui o advogado, mas torna o processo muito mais eficiente. A equipe atua onde realmente faz diferença”, explica.

Além do núcleo de Direito Bancário e Empresarial, a operação também estruturou unidades específicas, como a Passageiro Protegido, voltada ao setor aéreo, e uma frente de Direito de Família que utiliza automação inteligente para organizar demandas. Essas áreas funcionam com processos padronizados, uso intensivo de dados e fluxos internos que seguem lógica empresarial. A estrutura permite escalabilidade e cria estabilidade operacional em momentos de alta demanda.

O uso de dados também fortalece a atuação consultiva. Em renegociações bancárias, por exemplo, a equipe compara taxas com séries históricas, avalia a compatibilidade dos encargos e projeta impactos no caixa da empresa. Em determinados casos, essa análise revelou diferenças significativas entre o valor devido e o que estava sendo cobrado. Galinari cita situações em que dívidas aparentemente irreversíveis foram revistas após avaliação técnica. O resultado mais emblemático foi a redução de um débito superior a 700 mil reais para pouco mais de 12 mil reais após revisão das taxas e da estrutura do contrato. “O dado corrige distorções. Quando você analisa a operação de forma técnica, percebe que muitos empresários carregam encargos que não conseguem identificar sozinhos”, afirma.

Essa combinação de tecnologia, finanças e jurídico também altera o perfil do relacionamento com o cliente. Empresas buscam respostas rápidas, clareza nas projeções e previsibilidade. O contato inicial digital, a triagem automatizada e a análise preliminar baseada em dados reduzem a insegurança e tornam o processo mais transparente. Em avaliações registradas na plataforma do Google, empresários mencionam segurança técnica, compreensão das explicações e agilidade no atendimento. Para muitos, essa foi a primeira vez em que entenderam o funcionamento da própria dívida.

Com juros elevados previstos para os próximos meses e um ambiente de crédito ainda restrito, a tendência é que mais empresas busquem estruturas jurídicas capazes de interpretar números, organizar riscos e orientar decisões de forma técnica. Entre especialistas do setor, cresce a percepção de que escritórios que incorporam tecnologia de forma consistente ampliam sua capacidade de resposta em cenários de incerteza, oferecendo diagnósticos mais robustos e previsibilidade em momentos de pressão.

Para Galinari, essa é a direção natural de um mercado que se tornou mais complexo e exige análises multidisciplinares. Ele afirma que a advocacia empresarial vive um processo de transição semelhante ao que ocorreu em setores como contabilidade, auditoria e gestão financeira, que já operam com forte apoio de dados e automação. Nesse novo ambiente, a tecnologia não substitui o advogado, mas redefine a forma como ele atua. O resultado é uma advocacia mais técnica, integrada e preparada para lidar com a velocidade das mudanças econômicas.

À medida que empresas enfrentam desafios financeiros mais sofisticados e ciclos de juros mais longos, modelos de atuação que combinam jurídico, finanças e tecnologia tendem a ganhar espaço. É um movimento que reorganiza o próprio papel do advogado empresarial, aproximando-o de uma função estratégica essencial dentro da estrutura de tomada de decisão das companhias.

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