Parlamentares aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) ocuparam nesta terça‑feira (5 de agosto de 2025) as Mesas Diretoras da Câmara dos Deputados e do Senado Federal em Brasília. A mobilização é resposta à decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a prisão domiciliar de Bolsonaro após descumprimento de medidas cautelares .
O ato, que integra uma estratégia formal de obstrução parlamentar, exige a pauta imediata de um chamado “pacote da paz”. Entre as reivindicações estão: impeachment de Alexandre de Moraes, anistia ampla e irrestrita aos envolvidos nos episódios do 8 de janeiro de 2023 e aprovação de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para extinguir o foro privilegiado .
Na Câmara, cerca de 15 deputados bolsonaristas vestiram mordaças com esparadrapo — gesto simbólico em crítica à “censura” do Judiciário — e permaneceram sentados na Mesa Diretora para impedir o início da sessão plenária. Em alguns momentos, houve confrontos com oposicionistas como o líder do PT, Lindbergh Farias, resultando em troca de empurrões e xingamentos .
Paralelamente, no Senado, senadores bolsonaristas sentaram nas cadeiras da Mesa Diretor, anunciando que não deixarão o local enquanto suas pressões não forem atendidas. O grupo inclui senadores como Damares Alves (Republicanos‑DF), Jorge Seif (PL‑SC), Jaime Bagattoli (PL‑SC), Izalci Lucas (PL‑DF), Eduardo Girão (Novo‑CE) e Magno Malta (PL‑ES), que assumiu interinamente a presidência da Casa em substituição a Davi Alcolumbre (União‑AP) .
Líderes da oposição, incluindo os deputados Sóstenes Cavalcante (PL‑RJ) e Rogério Marinho (PL‑RN), afirmaram que a obstrução será mantida por tempo indeterminado e pode se estender à madrugada. As sessões legislativas tanto na Câmara quanto no Senado ficam comprometidas enquanto essa situação persistir .
Contexto do protesto
A prisão domiciliar imposta a Bolsonaro ocorreu após o STF constatar que o ex-presidente violou medidas cautelares relativas ao uso de redes sociais — mesmo por meio de terceiros — com o objetivo de mobilizar apoiadores e pressionar instituições públicas . A decisão limitou desde suas comunicações até reuniões e visitas.
A estratégia adotada pelos parlamentares bolsonaristas marca uma escalada institucional na crise política atual. Enquanto defendem que suas demandas constituem um caminho para a pacificação nacional, líderes governistas acusam os oposicionistas de tentar obstruir o funcionamento mínimo do Congresso.
Futuro da crise política
Até o fechamento desta reportagem, os presidentes da Câmara, Hugo Motta, e do Senado, Davi Alcolumbre, não haviam se manifestado oficialmente sobre a ocupação das mesas ou uma possível resposta à pauta exigida pela oposição.
A oposição já anunciou que entrará em obstrução total das votações até que o que chamam de “pacote da paz” seja oficialmente pautado. A expectativa é que comissões e plenários fiquem parados ao longo da semana, ampliando a crise entre os Poderes e entre grupos partidários.
