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Cadê as estrelas? Entenda por que elas ‘somem’ nas fotos divulgadas pela Nasa

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Imagens divulgadas pela NASA durante a missão Artemis II chamaram a atenção do público ao mostrar a Terra e a Lua com grande nitidez em meio a um céu completamente escuro, aparentemente sem estrelas. O registro foi feito ao longo do fim de semana e desta segunda-feira (7), quando a nave passou pelo entorno lunar e iniciou o trajeto de retorno ao planeta.

Apesar da aparência incomum, o fenômeno tem explicação técnica. Segundo o astrofísico Jaziel Goulart Coelho, as estrelas continuam presentes no cenário, mas não são captadas pelas câmeras devido ao alto contraste de luminosidade. A luz refletida pela Terra e pela Lua, iluminadas pelo Sol, é muito intensa, enquanto o brilho das estrelas é relativamente fraco. Para evitar que as imagens fiquem “estouradas”, os equipamentos utilizam exposição curta — o que acaba eliminando os pontos mais tênues do fundo.

O princípio é semelhante ao de uma fotografia noturna na Terra: ao registrar um objeto bem iluminado com exposição rápida, o céu ao fundo tende a aparecer escuro, mesmo contendo estrelas. No espaço, essa diferença de luz é ainda mais acentuada, o que reforça o efeito nas imagens captadas.

As fotos foram produzidas com mais de 30 câmeras e dispositivos a bordo da nave, ajustados especificamente para registrar detalhes da superfície lunar e do planeta. Com isso, embora visualmente impactantes, as imagens não trazem, isoladamente, grandes novidades científicas.

Registros semelhantes já haviam sido feitos durante o programa Apollo, nas décadas de 1960 e 1970, incluindo a histórica missão Apollo 11. Desde então, sondas robóticas e satélites vêm aprimorando o mapeamento da Lua e da Terra com alto nível de precisão.

Atualmente, a própria NASA conta com equipamentos mais avançados para esse tipo de observação, como o satélite DSCOVR, lançado em 2015, que fotografa o planeta a cerca de 1 milhão de quilômetros de distância por meio da câmera EPIC.

Ainda assim, o diferencial da Artemis II está na presença humana. A missão marca uma nova etapa da exploração espacial, na qual astronautas atuam como observadores ativos, capazes de interpretar o ambiente e tomar decisões em tempo real. O voo também ocorre em meio à retomada da corrida espacial, com países como Estados Unidos e China disputando protagonismo em projetos que visam não apenas chegar à Lua, mas estabelecer uma presença contínua no satélite natural da Terra.

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