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Coluna Amadeu Filho: Adailton Quixadá já foi o Roberto Carlos quixadaense

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adailton_cantor_amadeuHoje, Adailton Quixadá canta só em algumas situações como em aniversários, casamentos e quando convidado por amigos músicos.

No começo dos anos 70, o Colégio Municipal funcionava nas dependências do então Ginásio Waldemar Alcântara e, lá, um adolescente encantava alunos e professores ao cantar, sem nenhum acompanhamento, nas festividades do ano. Com voz bonita e interpretação convincente foi convidado a se apresentar no programa “A Juventude se revela”, que acontecia nos intervalos das matinês do Comercial Clube, na época, era o grande atrativo para a juventude da Terra dos Monólitos.

Zé Maria Libório, um dos apresentadores, chegou a afirmar que seria errado deixar um talento como o de Adailton fora da vida cultural da cidade. Mesmo já enfrentando um grande problema na adailton_cantor_amadeu2visão, o jovem fez sua apresentação, obtendo nota máxima e conquistando o público. Na ocasião, interpretou a canção “Minha Madrinha”, do saudoso cantor Paulo Sérgio. Desde então, passou a ser o principal convidado do programa e ganhando admiradores em toda a cidade. Mas para que a tão sonhada carreira de cantor pudesse decolar, se fazia necessário alguém que fizesse o papel de empresário. Então apareceu o agitador cultural, o já famoso Zé Pereira, que passou a cuidar da vida artística de Adailton Menezes(o nome artístico Adailton Quixadá só seria adotado a partir dos anos 90).

Pereira cuidou logo de criar um fã clube e convidou jovens para acompanhar as apresentações do “Roberto Carlos quixadaense” como ficou conhecido, durante algum tempo. O fã clube se reunia, preparava faixas, providenciava fotos para distribuir com os admiradores e acompanhava o jovem astro em todas as apresentações. Foi Pereira o responsável pela apresentação de Adailton nos programas de auditório da televisão cearense como “Porque Hoje é Sábado”, apresentado por Gonzaga Vasconcelos; “Show do Mercantil” com Augusto Borges e, tempos depois, nas concorridas atrações de Irapuan Lima. O esperto Pereira conseguia convencer o pessoal da televisão a abrir espaço para o novo ídolo quixadaense.

Adailton, Pereira e outros quixadaenses, viajavam até Fortaleza em uma das “Kombis” do senhor José Matias. O inesquecível Carmélio era, neste tempo, motorista de táxi em Fortaleza e, então, cuidava da locomoção dos quixadaenses que precisavam se deslocar na capital. O jovem intérprete também venceu um campeonato de música promovido pelo jornalista Félix e assim, continuou a se apresentar na capital cearense.  Naqueles poéticos anos 70, cantar na televisão era a consagração. E, quando do retorno a terra dos monólitos, uma multidão aguardava ansiosa a chegada do astro. E aí, desfile pela cidade nos carros(massa, na época!), Corcel, Fusca, Opala, Puma, Variante e na carroceria de uma pick-up, Adailton, acenando para as pessoas e, como não poderia deixar de ser, arranjando namoradas.

O tempo de sonho, de ilusões foi passando e começou a carreira profissional ao ser convidado pelo maestro Dudu Viana para integrar o já famoso grupo musical “Os Monólitos”, em substituição a Marcelo que iria começar a trabalhar em outro estado. Adailton participou da gravação do compacto de “Os Monólitos” e é o autor da bonita canção “Segue o Teu Caminho”. Com o encerramento das atividades do famoso grupo, foi convidado a integrar a “Black Banda”, porém, por apenas 3 meses. Formou então com Zé Raimundo, beto, Vandernilson e outros amigos o “Voo Livre” que teve duração de 9 anos e tendo se apresentado em muitas cidades nordestinas. Também integrou a “Banda Azul” que realizou carnavais memoráveis. Em meados dos anos 90, foi criado um trio que se tornaria muito popular na cidade, sendo requisitado para muitas apresentações e chegando a fazer sucesso até fora do estado. Foi o “Emoson” que não sai da memória dos quixadaenses.

Hoje, Adailton Quixadá canta só em algumas situações como em aniversários, casamentos e quando convidado por amigos músicos. É bastante grato a José Pereira, Dudu Viana e a todos os seus colegas incentivadores na carreira que tanto amou e ama. Lembra emocionado que os pais Antônio Gomes Saldanha(foi comerciante no velho mercado) e Maria Valdelice sempre o apoiaram. Recebeu o carinho dos irmãos Ademar, Adenilson, Aldízia, Arnaldo, Afonso e Aurilene. Num momento de saudade e também de descontração afirma (risos): “Já fui o Roberto Carlos Quixadaense!”. Com certeza, Adailton Menezes Saldanha é um dos talentos musicais mais queridos da bela Quixadá. Somos todos seus fãs!

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Amadeu Filho
Colunista da RC
Radialista Profissional

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