Lar Ceará MPF do Ceará pede investigação a Bolsonaro por promover aglomerações em Tianguá
Ceará

MPF do Ceará pede investigação a Bolsonaro por promover aglomerações em Tianguá

187
O pedido de investigação foi enviado a Brasília. Foto: divulgação

O Ministério Público Federal no Ceará encaminhou ao procurador-geral da República, Augusto Aras, um pedido para que seja aberta uma investigação contra o presidente Jair Messias Bolsonaro, pela prática de crime contra a saúde pública durante visita oficial ao Ceará no último dia 26 de fevereiro. O pedido de investigação foi enviado a Brasília pois somente o procurador-geral tem prerrogativa de investigar e denunciar o presidente da República.

Em ofício, cinco procuradores da República pedem que sejam apuradas as condutas da comitiva presidencial, com as respectivas responsabilizações penais. A documentação encaminhada aponta que durante a visita ao Ceará, foram registrados diversos episódios de desrespeito às normas de isolamento social impostas pelo Poder Público estadual. “A comitiva presidencial provocou grandes aglomerações de pessoas, muitas delas sem o uso de máscaras de proteção facial e sem que o distanciamento social mínimo recomendado pelas autoridades sanitárias nacionais e estaduais fosse observado”.

Em outro trecho, no pedido formalizado a Augusto Aras, o MPF-CE ainda cita que Bolsonaro “não utilizou máscaras faciais ou se manteve em distanciamento dos apoiadores e da população” e ainda detalhou que “na cidade de Tianguá, por exemplo, o presidente da República teria ordenado a retirada de alambrados para que a população pudesse se aproximar e se amontoar nas proximidades do palanque montado para o seu discurso, gerando ainda mais aglomeração de pessoas”, relata trecho do ofício.

Os membros do MPF no Ceará lembram que, na data dos fatos, encontrava-se vigente decreto do Governo do Ceará que traçou a obrigatoriedade de medidas sanitárias para a contenção da pandemia, com a proibição de quaisquer tipos de eventos que pudessem causar aglomerações, sem qualquer exceção, e era obrigatório o uso de máscara facial. “As condutas de realizar os eventos e de se recusar ao uso de máscara facial amoldam-se, em tese, à norma incriminadora do artigo 268 do Código Penal: Infração de medida sanitária preventiva. Em tese, o presidente da República e os membros de sua comitiva incorreram em crime, atraindo a atribuição para a apuração dos fatos noticiados ao procurador-geral da República”, destacam os procuradores que assinam o ofício enviado à PGR.

O documento registra ainda que o MPF atuou preventivamente para que os eventos não ocorressem e que fossem cumpridas as normas sanitárias em sua totalidade. Foram enviadas recomendações aos prefeitos dos municípios de Tianguá, Horizonte e Fortaleza, bem como ao Departamento de Infraestrutura de Transportes (DNIT), para que cancelassem eventuais eventos e impedissem a formação de aglomerações de pessoas, a fim de que fossem respeitadas as normas sanitárias que objetivam a contenção da pandemia da Covid-19.

Artigos relacionados

CearáÚltimas notícias

Idoso de 77 anos desmaia após ser picado por jararaca dentro de casa no Ceará

Um idoso de 77 anos precisou ser hospitalizado após ser picado por...

CearáÚltimas notícias

Cearense de 38 anos que fingia ter 12 para ser adotada é condenada na Justiça

A justiça condenou a cearense de 38 anos que enganou uma família...

CearáÚltimas notícias

Bispo de Diocese do Ceará proíbe uso de inteligência artifical em atos de divulgação da igreja

A Diocese de Sobral suspendeu temporariamente o uso de inteligência artificial na...