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Padre afirma que menina de 10 anos estuprada e grávida do tio compactuava com crime

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Padre comentou no facebook contra postura da menina de 10 anos estuprada: “gosta de dar”

A corrente de fé católica brasileira se viu estremecida essa semana, com uma declaração polêmica de um padre sobre o caso da menina de 10 anos que engravidou após ser estuprada por quatro anos pelo próprio tio. De acordo com o sacerdote a criança teria “compactuado com o estupro”. A declaração foi dada pelo padre em seu perfil que mantém na rede social Facebook. Foi o estopim para quem uma série de outras polêmicas se desdobrassem.

O padre da diocese de Carlinda, a cerca de 1.000 km de Cuiabá, Ramilo José Perroto foi o personagem que colocou o catolicismo no centro de uma discussão quente. Embora as autoridades maiores da religião, como a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) não tenham uma opinião semelhante e sequer tenham garantido apoio ao sacerdote, houve quem visse a imagem do padre como a de um pastor que ao invés de proteger o seu rebanho de ovelhas, as condenou imprudentemente. Essa corrente de opinião foi reverberada principalmente pelos protestantes, que enxergaram aí uma questão pertinente para tecer críticas ao catolicismo.

Tudo começou quando o padre José Ramiro compartilhou uma mensagem do presidente da CNBB, Dom Walmor Oliveira, lamentando a interrupção da gravidez da menina. Ramio fez a publicação expondo sua opinião no dia seguinte à decisão da justiça que permitiu à criança interromper a gravidez. A lei brasileira garante à vítimas de estupro que tenham engravidado o direito ao aborto assistido. Nos comentários, internautas que seguiam o padre no facebook criticaram a visão de Dom Walmor. “obrigar uma criança vítima de estupro a seguir com a gravidez era repugnante”.

“Gosta de dar”, disse religioso se referindo à menina

Em réplica ao comentário escrito na postagem o padre de Carlinda disse que duvidava que uma criança que fosse abusada por vários anos fosse capaz de deixar de comentar o caso. “Aposto, minha cara. Ela compactuou com tudo e agora é menina inocente. Gosta de dar então assuma as consequências“, escreveu. Mais tarde, ele postou uma mensagem dizendo que iria sair do Facebook. “Você acredita que a menina é inocente? Acredita em Papai Noel também. Seis anos, por quatro anos, e não disse nada. Claro que estava gostando”, afirmou no post antes de excluir a conta da rede social.

Após perceber a polêmica que tinha causado, o padre voltou atrás e pediu desculpas. “Assumo a responsabilidade de ter proferido palavras desagradáveis, e justifico que compartilho da defesa da vida, nunca condenar e tirar julgamentos. Não foi minha intenção proferir palavras de baixo calão, as quais não comungam com minha fé e minha crença na pessoa humana. Àqueles que se sentiram ofendidos, só resta meu pedido de perdão”, escreveu no comunicado. Alvo de desagradáveis comentários contrários à opinião que sustentou, o padre resolveu excluir a sua conta na rede social. “Excluí meu Facebook por não querer mais ofender e ser ofendido. Precisamos ser fraterno. Sempre preguei isso. As vezes que não fui, que Deus me perdoe. Lutemos pela vida, ela é dom de Deus”.

Hospital Estadual do Espírito Santo onde criança foi atendida

Linchamento virtual

No mesmo dia, o defensor público-geral de Mato Grosso, Clodoaldo Aparecido Gonçalves de Queiroz, emitiu nessa sexta-feira (21) uma nota de repúdio contra as declarações do padre Ramiro José Perotto. As declarações feitas pelo padre, na análise da Defensoria, são contrárias aos direitos fundamentais das crianças e adolescentes, direitos esses resguardados pela legislação pátria e pelos tratados internacionais. “Tais atos merecem total reprovação, não só da parte das autoridades públicas, como também da sociedade civil, inclusive, dos líderes religiosos”, afirma.

Na avaliação do defensor-geral, é inadmissível que um representante da Igreja Católica, instituição com grande influência na sociedade na qual está inserida, se valha das redes sociais, com largo alcance, para disseminar ódio e fazer apologia à cultura do estupro, transferindo a responsabilidade do fato criminoso para a vítima.

 

Com informações do G1

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