Voz de veludo: Morre aos 70 anos, o radialista quixadaense Ribamar Lima

Ribamar
Ribamar Lima de Aquino era radialista e aposentado da Justiça Eleitoral.

Região Central: Faleceu no início da manhã deste domingo(07),  o radialista Ribamar Lima de Aquino, que ficou conhecido como a voz de veludo do rádio quixadaense. Era também aposentado da Justiça Eleitoral e há muito tempo estava doente.

O velório será nesse domingo, no Centro de Velorio Anjo da Guarda, na cidade de Quixadá. O sepultamento às 17h.

Para o colunista Amadeu Filho, os quixadaenses que sintonizavam a Rádio Uirapuru com o objetivo de escutar a crônica “boa tarde para você”, de autoria dos cronistas João Eudes Costa e professor Luis Oswaldo, na voz límpida, segura e marcante de Ribamar Lima de Aquino, era a certeza de esquecer, por algum tempo, as durezas do cotidiano. Os ouvintes de rádio eram unânimes em afirmar que grande parte da audiência se devia a narração emocionante do radialista, que muitos não sabem, era filho de Barbalha (02.07.1948). Ribanar se tornou mas quixadaense ao receber um titulo de cidadão do município.

O rádio tem essa capacidade exclusiva de nos transportar a uma situação onde só exista paz, felicidade. Nas crônicas lidas pelo Ribamar os ouvintes só desfrutavam das coisas boas da vida. Só o rádio tem esse poder! Mas a “voz de veludo” não se limitou a apresentar crônicas e conquistou um público cativo ao comandar programas musicais, tendo ainda enveredado pelos noticiários e até transmissões esportivas. Foi na Rádio Uirapuru que viveu seu grande momento.

Seu público majoritário era formado por donas de casas (lia horóscopos, falava da vida dos artistas), motoristas (lia frases de párachoque), aposentados (tinha sempre uma mensagem de fé), torcedores (quando gritava cada gol do Quixadá). Uma características forte de Ribamar Lima era a sua coragem no enfrentamento das mais diversas situações. Nunca negou ter pouco conhecimento de futebol, mas falava: “eu narro o jogo, ninguém quer fazê-lo”. Entrevistava autoridades, gente famosa da música com uma naturalidade incrível. Por isso, algumas vezes foi incompreendido, mas lembrava: “o rádio não pode parar“. Até como discotecário chegou a trabalhar.

Se não fosse o amor por Quixadá, o grande carinho e respeito que sempre dispensou ao senhor Aziz Baquit e dona Paula (faz questão de lembrar que foi muito ajudado por este querido casal), teria, com certeza brilhado no rádio cearense, pois chegou a trabalhar na “Rádio Uirapuru”, substituindo nomes já consagrados como Guajará Cialdine, Cid Carvalho, Edson Silva. José Pessoa de Araújo, presidente da Rede Uirapuru de Comunicação era fã do radialista quixadaense. Mas atendendo pedido de seus queridos amigos ficou mesmo na Terra dos Monólitos.

No começo dos anos 70, conheceu o grande amor da sua vida. Ele mesmo contou ao radialista Amadeu durante uma entrevista: “Vinha caminhando pelas ruas tranquilas de Quixadá e, deparei-me com a inesquecível amiga Irene do Zé do Santos que apresentou a Helena”. No dia 2 de dezembro de 1972, casou-se na Catedral em celebração presidida pelo Padre Térence e Dom Rufino. Muito quando lembra não ter entendido o que dizia o padre (não era brasileiro) e de ter recorrido ao primeiro bispo quixadaense que, com simplicidade o explicou tudo.

Há algum tempo, problemas de saúde afastaram o comunicador do microfone e de outras atividades. Foram dias de dificuldade, até de sofrimento, amenizados em grande parte pela presença da família e dos amigos. Com grande sacrifício, formou-se em administração de empresas.

Quem gosta realmente de rádio, de ouvir uma voz bonita, queria a presença de Ribamar Lima na programação das emissoras locais. A sua saúde não o permitiu o retorno ao ar. Era dono de ótima dicção, alto poder de improvisação, sempre uma boa performance frente ao microfone.

Em 2015, oa comunicadores vinculados a Associação de Imprensa do Sertão Central escolheram na categoria comunicador o radialista Ribamar, a emissora rádio Cultura e o portal Revista Central foram indicados para receber a comenda Adolfo Lopes, homenagem que até agora não foi entregue.