Sobrinho do senador Eunício Oliveira(PMDB) é alvo de investigação Lava-jato

O presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), afirmou nesta terça-feira ter “absoluta convicção” de que a verdade será restabelecida nas investigações sobre a empresa Confederal, ligada ao senador e alvo da primeira operação feita com base em delações da Odebrecht autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

— Eu queria, diante dos fatos de hoje que todos vocês já têm conhecimento, que no ano de 2014, quando fui candidato a governador do Ceará, autorizei que fossem buscadas contribuições eleitorais dentro da lei. Portanto, estou muito tranquilo, sei que os fatos serão apurados pelo Supremo Tribunal Federal, e o lugar adequado é lá, o inquérito é um processo natural. Tenho absoluta convicção de que a verdade será restabelecida — disse Eunício, que hoje comandou uma reunião de líderes dos partidos para definir a pauta de votações no Senado.

Segundo a declaração de bens apresentada pelo senador à Justiça Eleitoral em 2014, quando concorreu ao governo do Ceará, Eunício detinha 99,99% da Remmo Participações, controladora da Confederal e também da CORPVS.

Empresário Ricardo Lopes Augusto, sobrinho do presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), e administrador da Confederal, empresa que pertence ao congressista e na qual houve busca e apreensão de possíveis provas na Operação Satélites, deflagrada nesta terça-feira, 21

Sobrinho do Senador

Empresário Ricardo Lopes Augusto, sobrinho do presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), e administrador da Confederal, empresa que pertence ao congressista e na qual houve busca e apreensão de possíveis provas na Operação Satélites, deflagrada nesta terça-feira, 21.

A informação foi confirmada ao Estado por um investigador. Lopes foi citado na delação do executivo da Odebrecht Cláudio Melo Filho como operador de propinas a Eunício.

O delator disse à Procuradoria-Geral da República (PGR) ter pago suborno a Eunício, em duas parcelas de R$ 1 milhão cada, entre outubro de 2013 d e janeiro de 2014. O valor seria contrapartida à aprovação da medida provisória 613, que tratava de incentivos tributários. Segundo o colaborador, o peemedebista enviou Lopes como “preposto”. Ao emissário, teria sido entregue uma senha e a indicação dos locais para o recebimento do dinheiro, em Brasília e São Paulo.

O sistema Drousys, que registra a contabilidade das propinas da empreiteira, apontou os dois supostos repasses de R$ 1 milhão ao senador, identificado pelo codinome “Índio”, naquele período: um em 24 de outubro de 2013 e outro em 27 de janeiro de 2014. A MP foi aprovada no plenário do Senado em 29 de agosto daquele ano. Melo Filho sustenta em sua delação que Eunício obstruiu a votação, antes disso, para pressionar a Odebrecht por propina.

O senador também é citado em outra delação, fechada pelo ex-diretor da Hypermarcas Nelson Mello. Em depoimentos à PGR, ele contou ter pago, por meio de contratos fictícios, R$ 5 milhões em caixa 2 para a campanha do peemedebista ao Governo do Ceará, em 2014. Relatou também que a ajuda financeira foi solicitada por um sobrinho do congressista, de nome Ricardo.

Eunício sustenta que jamais recebeu dinheiro pela aprovação de projetos. A defesa dele alega que as despesas de campanha foram declaradas e foram legais.

Do Extra e Estadão!