Silvio queima a própria imagem ao tentar bajular Bolsonaro

Foto: O apresentador e dono do SBT foi duramente criticado por rememorar frase ufanista da ditadura / Reprodução/SBT

Nenhuma surpresa ver o SBT flertar com o militarismo do presidente eleito Jair Bolsonaro ao colocar no ar uma vinheta com o slogan nacionalista ‘Brasil: Ame-o ou Deixe-o’, amplamente usado pelos militares durante a ditadura.
O dono e principal imagem do canal, Silvio Santos, sempre teve relação próxima com o poder desde aquele período em que o País esteve sob o controle das Forças Armadas.

O empresário ganhou a concessão da emissora em agosto de 1981, na presidência do general João Figueiredo (1918-1999), último militar no comando do Brasil nos 21 anos da ditadura. Até então, o sinal do canal 4 era da TV Tupi, que teve a concessão cassada pelo regime militar.

Esta semana, ao exibir a vinheta pseudopatriótica com o slogan ‘Brasil: Ame-o ou Deixe-o’, o dono do SBT deu um tiro no próprio pé. A frase ufanista, muito usada no auge da ditadura, era um recado (com inegável teor de ameaça) aos opositores do regime militar.

A reação foi estrondosamente negativa à emissora e a Silvio Santos. O que seria um afago ao ego do presidente eleito Jair Bolsonaro, ex-capitão do Exército que defende o nacionalismo, foi interpretado como uma ode ao radicalismo imposto pelo regime militar.

A imprensa e as redes sociais foram tomadas por matérias críticas ao vídeo e colaram no apresentador a imagem de bajulador apegado ao poder, conservador e apoiador da ditadura.

No Brasil atual, toda manifestação política de pessoa pública bem avaliada pode gerar variadas (e até equivocadas) interpretações. A dimensão é ainda maior e potencialmente mais danosa se a figura em questão for o apresentador mais popular da TV.

Atento, o SBT tirou a vinheta do ar rapidamente. Contudo, o estrago estava feito – e será difícil repará-lo.

Conteúdo: Terra